Poucos países galgaram o ranking das exportações nacionais desde o pré-pandemia como a Ucrânia, que passou da 75.ª posição em 2019 para a 36.ª em 2025 e os drones deram um forte contributo. Este artigo integra a rubrica Visão Periférica.

Quatro anos de guerra. E sem perspectiva de que termine tão cedo. A Ucrânia resiste como pode, com esforço próprio, ajuda internacional, mas também comprando material militar ou de duplo uso a outros países. É o caso de Portugal, que tem intensificado a venda de drones para aquele país a cada ano desde o início da guerra. Não ficará por aqui, considerando que os dois países têm relações cada vez mais estreitas, tendo assinado em dezembro um acordo para produzir em conjunto drones subaquáticos.

A venda destes equipamentos para a Ucrânia começou com quatro milhões de euros logo em 2022, passou para 23 milhões em 2023 e deu um novo salto para 33 milhões em 2024, com a Tekever a assumir-se como o maior exportador para aquele país. Em 2025, porém, as vendas destes aparelhos dispararam, alcançando os 87,3 milhões de euros.

A evolução foi tão rápida que a venda de drones para a Ucrânia, sozinha, já rende mais a Portugal do que todas as vendas para a Rússia, que tem perdido importância de forma contínua: caiu um total de 16 posições no ranking das exportações de bens portuguesas desde 2019, de 34.º para 50.º. Entre os 100 destinos mais importantes, apenas Cuba (20 posições) e Síria (19 posições) tiveram quedas maiores.

Não deixa de ser digno de nota, ainda assim, que — mesmo com todas as proibições europeias em vários bens — a Rússia se mantenha no top 50 das exportações nacionais, com 83,1 milhões de euros. A queda de 18% no ano passado fez com que este destino descesse apenas quatro lugares no ranking dos maiores clientes de Portugal. A 50.ª posição é a mesma que ocupara em 2022 e 2023.

Já a Ucrânia, considerando o total de compras feitas a empresas portuguesas, deu um salto adicional de 110%, com a ajuda dos drones. Antes da guerra, as exportações para a Ucrânia neste século eram, por regra, de cinco a 10 vezes inferiores às exportações para a Rússia. Em 2023 e 2024, porém, já representavam cerca de 90% e em 2025 houve mesmo uma ultrapassagem, valendo agora mais do dobro.

Poucos países galgaram o ranking das exportações nacionais desde o pré-pandemia como a Ucrânia, que passou da 75.ª posição em 2019 para a 36.ª, uma escalada de 39 posições em apenas sete anos. Entre os países que hoje estão no top 100, melhor só as 52 posições do Uzbequistão — mas com uma escala bem diferente, tendo em conta que Portugal exportou 13,5 milhões em 2025 (contra os 191,3 milhões para a Ucrânia).

Entre o top 100 das exportações nacionais, a Ucrânia é um dos poucos destinos que, em simultâneo, cresceu a dois ou três dígitos (neste caso, 110% num ano), subiu vários lugares no ranking dos clientes de Portugal e atingiu o valor máximo nos últimos 20 anos.

Já agora, a respeitar todos estes critérios, destaque ainda para a Islândia, o único país do mundo que subiu todos os anos no ranking das exportações portuguesas desde 2019, no pré-pandemia. No ano passado foram 22 degraus para o 86.º lugar, embora isso signifique um acréscimo de apenas 17,7 milhões.

Fortes quedas nas importações

Em sentido contrário, nas importações, houve uma queda abrupta na relação com a Rússia face a 2021 (redução de 85%). Todos os anos desce mais um pouco desde que começou a guerra, e no ano passado reduziu em 22%. Sobram praticamente o gás e o bacalhau.

Na Ucrânia, por seu lado, o nível de importações em 2024 era até ligeiramente superior ao de 2021 (depois de ter atingido o melhor registo em 2023). E, nesses dois anos, pela primeira vez em mais de duas décadas, as importações da Ucrânia superaram as da Rússia. No entanto, em 2025, as empresas portuguesas reduziram as compras e a queda foi violenta, de 63%, para 112 milhões.