Num momento em que o Pentágono confirma as primeiras mortes americanas na sequência dos ataques de retaliação contra alvos iranianos, uma campanha coordenada pelo escritor e humorista Toby Morton colocou o nome de Barron Trump, o filho mais novo do presidente Donald Trump, no centro do debate sobre o esforço de guerra.
Através do domínio DraftBarronTrump.com, Morton, escritor da série de comédia animada South Park, lançou uma plataforma que simula um apelo patriótico para que o jovem de 19 anos seja o primeiro a apresentar-se ao serviço militar. O autor tem um historial de registar domínios com nomes de figuras republicanas para subverter as suas agendas políticas.
Segundo o jornal britânico The Independent, a iniciativa surgiu poucas horas após o anúncio da morte de quatro militares norte-americanos, num esforço para confrontar a Administração com o custo humano das suas decisões estratégicas. Donald Trump foi criticado por alguns opositores que afirmam uma aparente indiferença às mortes dos seus militares, descrevendo-as como uma realidade da guerra e alertando que o número de vítimas americanas pode subir.
A campanha utiliza uma retórica que mimetiza o estilo de comunicação da família Trump, apresentando Barron como um “exemplo de coragem hereditária”. A plataforma utiliza o sarcasmo para sublinhar o que os críticos consideram ser a hipocrisia das elites políticas. Entre fotografias do Presidente americano com os olhos cerrados em pose solene, surge a frase “Dog Bless Barron” (‘Deus’ abençoe Barron).
Toby Morton
A hashtag #SendBarron (ou #DraftBaron) difundiu-se rapidamente, alimentada por uma curiosidade técnica pela estatura física do jovem. Com 2,06 metros de altura, Barron Trump excederia, tecnicamente, os limites regulamentares para o recrutamento em várias divisões das Forças Armadas dos EUA. Enquanto os críticos da campanha apontam a estatura do jovem como uma prova do absurdo técnico da proposta, nas redes sociais o detalhe tem sido aproveitado para reforçar a narrativa de que a família presidencial habita uma realidade distante da dos militares no terreno.
A Casa Branca não emitiu até agora qualquer comunicado oficial sobre o site ou os apelos nas redes sociais.