“Cocktail tóxico” leva Ásia a fortes perdas. “Benchmark” sul-coreano tem maior “crash” de sempre


Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com perdas expressivas pela terceira sessão consecutiva e registaram a maior queda em quase um ano nesta quarta-feira, à medida que as crescentes preocupações com a guerra no Médio Oriente provocam uma fuga dos investidores dos ativos de risco. Já os futuros dos índices de ações apontam para ganhos modestos na Europa e algumas perdas contidas nos EUA, sugerindo que a liquidação poderá ser limitada nestas regiões.


Pelo Japão, o Nikkei caiu 3,61%, ao passo que o Topix perdeu 3,67%. Já o sul-coreano Kospi tombou 12,06% – a sua maior queda de sempre. Antes de afundar nas últimas sessões, o Kospi era o índice com melhor desempenho do mundo desde o início do ano. Na China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 2,67% e o Shanghai Composite cedeu 0,98%. Por Taiwan, o TWSE derrapou 4,35%.


O índice regional MSCI Ásia-Pacífico caiu 4,5%. “Os mercados asiáticos estão a sufocar com um cocktail tóxico – aumento dos preços da energia, valorização do dólar e tensões geopolíticas que já ninguém consegue ignorar”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime. “Isto não é apenas uma retração técnica, mas mais uma capitulação psicológica”, acrescentou o especialista.


Os grandes movimentos nas ações asiáticas contrastaram com outros mercados, depois de o Presidente Donald Trump ter dado garantias sobre a salvaguarda do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, o que ajudou a acalmar os investidores. Os ataques dos EUA e de Israel ao Irão desestabilizaram o Médio Oriente e ameaçam provocar um novo choque de inflação na economia global, com a escalada dos preços do petróleo. Também não se sabe quando ou como a guerra irá terminar, o que aumenta a possibilidade de um conflito prolongado que poderá ter consequências imprevisíveis.


A dependência da Ásia em relação ao petróleo e ao gás do Médio Oriente significa que a extrema volatilidade que se continua a registar nos preços do petróleo provavelmente fará com que as ações da região continuem a cair. “A liquidação no Japão está a ser muito violenta. Os investidores estão agora a realizar lucros nas partes das suas carteiras onde têm ganhos significativos”, sublinhou à agência de notícias Rajeev de Mello, da Gama Asset Management. “A redução do risco é importante, uma vez que os refúgios seguros, como as obrigações, não têm amortecido as quedas nas carteiras dos investidores”.


As ações japonesas estavam a ter um forte desempenho este ano e atingiram níveis recorde com o chamado “Takaichi trade” a impulsionar as ações dos setores dos semicondutores e empresas de defesa. A recuperação continuou depois de o Partido Liberal Democrático, da primeira-ministra Sanae Takaichi, ter alcançado a maior vitória pós-guerra para um único partido nas eleições legislativas japonesas. Mas desde esta quarta-feira que ambos os índices de referência nipónicos já perderam todos os ganhos obtidos desde as eleições antecipadas de 8 de fevereiro.


Entre os movimentos do mercado pela Ásia, a Alibaba caiu mais de 3%, a Samsung derrapou mais de 11%, a Taiwan Semiconductor Company (TSMC) perdeu 3,62% e o Softbank Group tombou mais de 7%.