Santapaola, considerado o arquiteto de uma campanha de derramamento de sangue que marcou a Itália nas décadas 80 e 90, morreu na segunda-feira numa prisão de Milão, onde cumpria múltiplas penas de prisão perpétua. Foi pedida uma autópsia, segundo o jornal britânico “The Guardian”.

Antes de ser preso, Santapaola era considerado uma das figuras mais poderosas da história da máfia siciliana, aliado a Totò Riina – o autoproclamado “chefe dos chefes” – e a Bernardo Provenzano, os líderes mais influentes da Cosa Nostra. A sua base era na cidade de Catânia, de onde exercia controlo sobre grande parte do leste da Sicília.

Entre as atrocidades que lhe foram atribuídas, destaca-se o atentado bombista em Capaci, em maio de 1992, um ataque que vitimou o procurador antimáfia Giovanni Falcone, a sua mulher, Francesca Morvillo, e três dos seus guarda-costas, comovendo um país mergulhado numa luta contra o crime organizado.

Após mais de uma década em fuga, Santapaola – apelidado de “il cacciatore” (o caçador) – foi preso em 1993 numa quinta nos arredores de Catânia, juntamente com a mulher, Carmela Minniti, que foi assassinada a tiro dois anos depois por Giuseppe Ferone, um antigo membro de um clã rival que afirmava ter agido por vingança.

Em 2003, Santapaola foi condenado por ordenar o assassinato, em 1984, do jornalista de investigação Giuseppe Fava, que tinha exposto o seu império criminoso e ligações políticas. Fava foi baleado cinco vezes dentro do carro em Catânia, depois de ter ido ao teatro.

As autoridades acreditavam que Santapaola continuava a comandar o seu clã desde a prisão, através de pessoas de confiança. Tal como outros chefes da máfia, recusou-se a colaborar com os procuradores, levando consigo os seus segredos.