A Polícia Judiciária (PJ) anunciou esta quarta-feira a detenção de quatro sapadores florestais do município de Seia que considera “fortemente indiciados pelos crimes de violação, coacção, coacção sexual agravada e perseguição” de um colega de trabalho mais velho.

A situação arrastar-se-ia há mais de sete anos anos, segundo uma nota da PJ. “Desde Setembro de 2018, a vítima foi sujeita a actos sexuais violentos, acções vexatórias e ofensas sexuais, quase diariamente”, precisa o comunicado.

Os suspeitos tem idades entre os 40 e os 51 anos, enquanto a vítima é um homem de 61 anos, assistente operacional, com funções de vigilância florestal, que estava integrado na mesma equipa que os sapadores.

O Departamento de Investigação Criminal da Guarda da PJ, que investigou o caso, diz que os crimes ocorreram em contexto laboral, em locais ermos onde aqueles profissionais desenvolviam a sua actividade.

A investigação iniciou-se a partir de uma denúncia efectuada pela própria vítima à GNR de Seia que terá sido motivada pelo seu estado de saúde periclitante, resultante das acções que sofreu ao longo dos anos. Os suspeitos, que foram detidos ontem, serão presentes esta quarta-feira a tribunal para o primeiro interrogatório judicial, onde se determinarão as medidas de coacção adequadas.

Em Novembro do ano passado, foi noticiado um outro caso de violação em grupo que terá envolvido 11 bombeiros voluntários do Fundão, um dos quais chefe, suspeitos de terem violado e coagido sexualmente um colega de 19 anos que ia deixar de ser cadete a passar a bombeiro da corporação. Os ​actos sexuais violentos terão sido praticados no quartel do Fundão e seriam uma forma de praxe. Depois de detidos, os 11 bombeiros foram sujeitos a primeiro interrogatório judicial no Tribunal do Fundão, que proibiu oito dos 11 suspeitos de entrarem no quartel, à excepção de situações de incêndio em que o seu trabalho fosse “imprescindível” à salvaguarda das populações.

Todos ficaram ainda proibidos de contactar com a vítima por qualquer meio, de frequentar a respectiva residência e trabalho e de se aproximarem a menos de 500 metros do colega, além de terem ficado proibidos de contactar os restantes arguidos e testemunhas do processo.

Também no caso do Fundão foi a própria vítima a apresentar queixa às autoridades. Primeiro terá denunciado o caso às estruturas internas da corporação, tendo em meados de Setembro decidido apresentar queixa na GNR do Fundão, que accionou a PJ. Neste caso existirão vídeos, realizados pelos alegados agressores, que mostram parte dos crimes, nomeadamente a vítima imobilizada pelos colegas. Também existem imagens de videovigilância relevantes para a investigação, apesar de não haver câmaras nas camaratas, onde tudo se passou. As imagens mostrarão alguns dos suspeitos a deslocarem-se a uma ambulância onde terão ido buscar luvas, que terão sido utilizadas para proteger os dedos usados nas penetrações.

Nos primeiros 10 meses do ano passado, foram detidos pela PJ 269 suspeitos de crimes sexuais, mais do que em todo o ano de 2024, quando foram detidas 251 pessoas, revelou em Novembro passado o director da instituição, numa conferência dedicada ao tema. Destas últimas, 65 eram suspeitas de violação e 85 de abuso sexual de crianças, segundo o último Relatório Anual de Segurança Interna, relativo a 2024. Nos inquéritos por crimes sexuais abertos nesse ano, 21% diziam respeito a suspeitas de violação e 38% de abuso sexual de crianças.