A Associação Internacional de Linhas de Cruzeiro (CLIA) anunciou a suspensão de todos os itinerários para o Médio Oriente, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão.
A CLIA reúne empresas que operam mais de 310 navios.
Em declarações à agência estatal grega AMNA, a directora da associação, Maria Deligianni, disse que, pelo menos, seis navios de cruzeiros continuam ancorados nos portos do Dubai, Abu Dhabi e Doha, com milhares de passageiros impossibilitados de regressar a casa, após a suspensão das ligações aéreas.
A companhia de navegação grega Celestyal comunicou o cancelamento de dois itinerários de cruzeiro – um com partida de Doha, no Qatar, entre os dias 7 e 14 de Março e outro com partida do Dubai, Emirados Árabes Unidos, entre 9 e 16 de Março.
O principal sindicato marítimo da Grécia, PNO, convocou uma greve de 24 horas para esta quarta-feira, exigindo que o Governo grego declare como “zona de guerra” a que abrange o Golfo do Pérsico, o Mar Vermelho e o Mar Arábico, proibindo assim a navegação de navios na região.
Antes do comunicado da CLIA, vários grandes operadores de navios de cruzeiros já tinham avançado com a decisão de suspender as operações na região de conflito. Entre eles, a alemã Dertour e a TUI Cruises, estando em causa todos os itinerários que cruzariam a zona.
Também a MSC Cruises avançou, segundo a Reuters, que um dos seus navios, MSC Euribia, permaneceria no porto do Dubai, seguindo as directivas das autoridades. A empresa avança estar em contacto com embaixadas e ministérios de relações exteriores para repatriamentos quando possível.
No domingo, a TUI Cruises afirmou que os seus navios Mein Schiff 4 e Mein Schiff 5 na região estão a operar da forma mais normal possível, com cerca de 5000 passageiros em segurança e bem cuidados. A empresa cancelou vários cruzeiros e está a trabalhar em estreita colaboração com as companhias aéreas e as autoridades para organizar meios de regresso fiáveis, comunicou.
Tanto a Dertour como a TUI Cruises estão a oferecer aos clientes afectados opções para remarcar viagens gratuitamente ou solicitar reembolsos totais.
Os alemães representam um dos maiores grupos de turistas afectados: cerca de 30 mil, isto em viagens organizadas por operadores. Já foram realizados voos de repatriamento via Dubai para a Alemanha.
No caso dos portugueses, as associações de agências de viagens estimam entre 500 e mil turistas com dificuldade em regressar ao país. O primeiro voo da região rumo a Lisboa, realizado pela Emirates, deverá aterrar vindo do Dubai no aeroporto Humberto Delgado ao final da tarde.