A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) alerta para “uma maior pressão sobre as taxas euribor”, além do preço dos combustíveis, perante um contexto internacional “incerto” e de tensões no Médio Oriente. Para quem tem crédito à habitação, a Deco recomenda uma análise “ao detalhe” das condições: “É o momento oportuno.”

“Para quem tem crédito à habitação, é expectável que haja uma maior pressão sobre as taxas euribor. Quem vai fazer as revisões das suas taxas deverá esperar por aumentos nos próximos tempos”, afirmou a especialista Magda Canas, em declarações à TSF.

Apesar de o impacto “depender sempre da duração e da intensidade do conflito e também, naturalmente, das decisões políticas que forem sendo adotadas”, Magda Canas disse que “este é um momento oportuno para os consumidores analisarem ao detalhe as condições dos seus créditos e avaliarem a possibilidade de renegociar”.

“Quando se fala em condições, fala-se essencialmente de spread, mas também de outros fatores”, acrescentou.

Magda Canas referiu ainda um “inevitável impacto nos mercados financeiros” e recomenda que o consumidor “evite decisões impulsivas”.

Relativamente aos combustíveis e à possibilidade de o Governo avançar com um desconto extraordinário e temporário do ISP para compensar uma subida dos preços, a especialista da Deco não tem dúvidas de que esta é “a solução possível”. “Já foi adotada no passado, ou seja, também não é novidade, e serviu exatamente para isto”, sublinhou, numa alusão às medidas adotadas quando começou a guerra na Ucrânia.

“Nós estamos perante uma guerra com particularidades muito próprias, desde logo pelo facto de se encontrar exatamente no local de onde vêm muitos dos combustíveis consumidos em todo o mundo. No entanto, já houve um acentuado aumento dos combustíveis quando ocorreu a invasão da Ucrânia e, por isso, a solução encontrada nessa altura não é muito diferente daquela que o Governo agora planeia adotar. É a solução possível.”

A Deco pede que os consumidores evitem “comportamentos de antecipação excessiva” e lembra que “é absolutamente essencial comparar os preços antes de abastecer”.

O bloqueio de petróleo do Estreito de Ormuz – por onde passa 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do comércio global – pode provocar um aumento no preço dos combustíveis de até 15 cêntimos na próxima semana em Portugal. Na eventualidade de o conflito no Médio Oriente se alastrar por mais de um mês, pode haver “um agravar do preço por razões conjunturais de procura”.

*Com Maria Ramos Santos