Vasco Matos, antigo treinador do Santa Clara, considera que o FC Porto “parte em vantagem” para o clássico com o Benfica, porque lidera o campeonato e tem sido “a equipa mais consistente”. Ainda assim, e atendendo à experiência de ter defrontado os três candidatos ao título esta época, em entrevista à TSF, define o Sporting como “a equipa mais difícil de travar”.
Ao longo da época, o técnico de 45 anos empatou com o Benfica (1-1) e, em casa, perdeu com o Porto (0-1) e com o Sporting, para o campeonato (1-2), e para a Taça de Portugal (2-3, após prolongamento). Sobretudo nos duelos contra os leões, os jogos ficaram marcados por várias críticas à arbitragem por causa de erros, que, segundo Vasco Matos, tiveram influência na sua saída do Santa Clara.
Em relação ao passado, o treinador garante não estar arrependido por ter recusado o convite do Botafogo, há cerca de um ano, e, quanto ao presente e ao futuro, confidencia que tem recebido vários convites, estando à procura do projeto certo para “dar um passo em frente na carreira”.
Enquanto treinador do Santa Clara, fez vida difícil aos grandes. Empatou com o Benfica na Luz e, de resto, perdeu sempre pela margem mínima. Entre Benfica e Porto, qual foi o adversário mais difícil de enfrentar?
São duas equipas muito fortes, com muita qualidade. O Benfica, na altura, também estava a passar por um momento menos bom, com alguma turbulência interna, mas são sempre equipas com coletivos muito fortes e com jogadores com muita capacidade individual que, a qualquer momento, podem resolver o jogo.
Há algum mais difícil de travar do que o outro?
Sinto que, dos grandes, o Sporting, para mim, é a equipa que é mais difícil de travar em relação a Benfica e Porto, mas obviamente que são equipas fortes. O Porto tem algumas características físicas que dificultam as equipas com menos capacidade. O Benfica, neste momento, também está em crescendo e é uma equipa com uma energia diferente. Por isso, são equipas com características distintas, mas, obviamente, com qualidades que dificultam muito as equipas com menos capacidade, como o Santa Clara, na altura.
Consegue ver algum favorito para domingo? Na sua opinião, alguma das equipas parte em vantagem?
É um clássico, com duas baixas importantes, um central [Bednarek, no Porto] e um médio [Aursens, no Benfica]. O Porto, na minha opinião, parte em vantagem porque está em primeiro. É a equipa que tem sido mais consistente ao longo do campeonato. O Benfica, neste momento, tem uma equipa tem vindo a crescer. Com a entrada do treinador Mourinho, tem vindo a ganhar consistência. Está com uma energia diferente. Os adeptos também podem empurrar a equipa para a vitória porque vai ser um jogo muito importante para o Benfica e, na minha opinião, o Benfica não tem nada a perder. Com o apoio dos seus adeptos e a jogar em casa, o Benfica vai jogar aqui a sua última cartada e, quanto ao Porto, há dúvidas que podem pairar no ar em relação à capacidade de manter o primeiro lugar. A sua consistência de jogo tem sido posta em causa em alguns momentos. Acho que é um jogo em que se podem dissipar algumas dúvidas em relação àquilo que o Porto pode fazer ao longo do campeonato porque o Porto, depois, vai ter duas saídas difíceis, contra Braga e Estoril. E o Porto fora não tem mostrado essa consistência, essa força. Até o final do campeonato ainda muita tinta pode correr. Na minha opinião, vai ser um grande jogo, onde o Benfica tem que acreditar, com o apoio dos seus adeptos, que pode ganhar. E o Porto tem de continuar a defender o seu primeiro lugar e dar continuidade ao campeonato que tem vindo a fazer.
O Vasco está sem clube. Há perspectivas de voltar ao ativo?
Já tive algumas possibilidades reais. Reais mesmo. Mas neste momento prefiro descansar, refletir e preparar-me para iniciar uma nova época, com grande energia e com muita ambição.
Prefere Portugal ou estrangeiro?
Tenho de analisar e ver que tipo de situações vão aparecer e olhar para elas e perceber aquilo que poderá ser melhor para a minha carreira desportiva, para cimentar um bocadinho e dar continuidade ao excelente trabalho que fizemos nos Açores. O próximo passo é olhar muito para essa questão do crescimento, dar um passo em frente, onde possamos desenvolver o nosso trabalho e darmos continuidade à nossa carreira e à nossa ambição, que é chegar a outros patamares.
Arrepende-se de não ter aceitado a proposta do Botafogo?
Não, não, não. Sabia claramente que não era esse passo que queria dar. Foi um risco calculado. Sinto-me bastante confortável com as minhas decisões, que são sempre ponderadas e pensadas. Também sabia que era um risco continuar no Santa Clara, depois dos dois anos que fizemos, onde batemos recordes e fizemos a melhor classificação de sempre do Santa Clara. Mas o que se passou foi crescimento para mim. Mas não senti e não sinto que se tivesse dado esse passo era o melhor para a minha carreira. Fi-lo de uma forma consciente, bem ponderada e acho que dei o passo certo. Neste momento, sou melhor treinador, estou mais preparado para outros desafios e é isso que espero que aconteça.
Já consegue entender a sua saída do Santa Clara? Os erros de arbitragem tiveram influência?
Obviamente que claro que tiveram, mas houve aqui vários fatores, dos quais, neste momento, não quero falar. Percebo e sei claramente o que é que se passou. Obviamente que tivemos alguns jogos importantes…. mas não me vou agarrar a isso porque é futebol. No final, entre o deve e o haver, acho que houve um equilíbrio grande. No entanto, mais importante do que isso, é eu perceber o que aconteceu e isso soube desde o início, mas as coisas foram por este caminho e, a seu tempo, toda a gente irá fazer uma reflexão e perceber realmente o que se passou. Eu e a minha equipa técnica queremos dar um passo em frente e temos a certeza de que estamos a trilhar o caminho certo para alcançar o sucesso no futuro.