O Departamento de Justiça dos EUA divulgou, nesta quinta-feira, registos do FBI que resumem entrevistas a uma mulher não identificada, nas quais constam acusações contra o Presidente Donald Trump relacionadas com um encontro sexual.
Agentes do FBI entrevistaram a mulher quatro vezes, em 2019, no âmbito da investigação a Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de abuso de menores. O Departamento de Justiça já tinha publicado anteriormente um registo a confirmar a realização das entrevistas, mas apenas divulgou o resumo de uma dessas quatro sessões, na qual a mulher acusava Epstein de ter abusado sexualmente dela quando era adolescente.
Os novos registos, disponibilizados no site do Departamento de Justiça na quinta-feira, indicam que a mulher também afirmou que Trump a terá tentado obrigar a praticar sexo oral, depois de Epstein a ter apresentado ao futuro Presidente, na década de 1980, quando tinha entre 13 e 15 anos.
A Casa Branca não respondeu de imediato a perguntas sobre estas divulgações. O Politico, que noticiou primeiro os documentos, afirmou que a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, considerou as alegações da mulher como “acusações completamente infundadas, sem qualquer prova credível”.
O Departamento de Justiça advertiu que alguns dos documentos incluem “alegações falsas e sensacionalistas contra o Presidente Trump”. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a veracidade das acusações da mulher, e os registos do FBI indicam que os agentes deixaram de contactá-la em 2019.
O Departamento de Justiça explicou numa publicação na rede social X que os documentos divulgados na quinta-feira estavam entre 15 registos que tinham sido “codificados incorrectamente como duplicados” e, por esse motivo, não tinham sido publicados. A divulgação ocorre num momento em que o Departamento enfrenta escrutínio no Congresso sobre a gestão dos documentos da investigação a Epstein, que é obrigado a tornar públicos.
Democratas acusaram a Administração de Trump de ocultar registos relacionados com o Presidente, e um comité da Câmara dos Representantes aprovou a convocação da procuradora-geral Pam Bondi, para que os legisladores possam questioná-la sobre o modo como o governo tem tratado estas divulgações.
Trump afirmou que a sua associação com Epstein terminou no início da década de 2000 e que nunca teve conhecimento dos abusos sexuais do financeiro. Registos anteriormente divulgados pelo Departamento mostram que Trump viajou várias vezes no avião de Epstein na década de 1990, o que o próprio nega. Após o primeiro caso de acusações de conduta sexual imprópria contra Epstein, Trump terá contactado o chefe de polícia de Palm Beach, alegando que “todos sabiam que ele estava a fazer isto”, segundo um registo do FBI.
No relatório da última entrevista da mulher, realizada em Outubro de 2019, durante a primeira presidência de Trump, os agentes questionaram se estaria disposta a fornecer mais informações sobre o Presidente. Em resposta, o agente registou que ela “perguntou qual seria o propósito de fornecer a informação neste ponto da sua vida, quando existia uma forte possibilidade de nada poder ser feito relativamente a isso”.