O estudo, que contou com 23 mil inquiridos em vários países do Mundo, analisou dois grupos geracionais: a geração Z, que inclui pessoas nascidas entre 1997 e 2012; e a dos “baby boomers”, que engloba os anos entre 1946 e 1964. A análise, noticiada pelo “The Guardian”, aponta que a geração mais nova apresenta visões mais conservadoras sobre papéis de género do que a mais antiga, com quase um terço dos homens da geração Z a acreditar que as mulheres devem obedecer aos homens dentro de uma relação.
O estudo anual, realizado pela empresa de estudos de mercado Ipsos, juntamente com o Global Institute for Women’s Leadership (GIWL), instituto de investigação sobre igualdade de género e representação feminina, visou 29 países. Os resultados, publicados pela universidade King’s College London, mostram uma diferença considerável entre gerações acerca das dinâmicas relacionais.
Os homens e rapazes da geração Z têm o dobro da probabilidade de concordar que o homem deve tomar as decisões importantes da relação, sendo que apenas 13% dos “baby boomers” acham que a mulher deve obedecer ao namorado/marido. Entre as mulheres questionadas sobre o mesmo ponto, 18% da geração Z e 6% da geração dos “boomer” concordam.
Independência e sexualidade
O estudo mostra também que quase um quarto dos homens mais jovens (24%) acredita que uma mulher “não deve parecer demasiado independente ou autossuficiente”, enquanto os “baby boomers ficaram pelos 12%. E, na sexualidade, 21% dos homens da geração Z defendem que uma “mulher a sério” nunca deveria iniciar o ato sexual, comparado com apenas 7% de concordância nos “baby boomers”.
A análise também mostra que mais de metade dos homens da geração mais nova (59%) acredita que há demasiadas expectativas de que os homens apoiem e trabalhem mais na igualdade de género, enquanto os “baby boomers” ficam-se pelos 45%.
Numa análise por países, a Indonésia e a Malásia lideram a tabela, com cerca de 66% e 60% dos inquiridos de ambos os géneros a concordarem com a premissa de que a visão masculina se deve sobrepôr à feminina, enquanto nos EUA e em Inglaterra, os valores baixaram para 23% e 13%, respetivamente.
Mais de metade acha que direitos da mulher foram longe de mais
Heejung Chung, diretora do GIWL e responsável pelo estudo, destaca sinais esperançosos que mostram que os alicerces da igualdade de género se mantêm fortes, como a concordância de que deveria haver mais mulheres nos Governos, mas salienta que a análise deixa claro que as opiniões conservadoras têm aumentado nos últimos anos. No questionário de 2019, 42% das pessoas acreditavam que os direitos das mulheres tinham ido longe mais nos seus países. Agora, o número aumentou para 52%.
“Acho que há muito descontentamento, muito medo entre os homens de perderem as suas posições sociais. Há um vazio que está a ser preenchido com retórica e vozes que estão a tentar revoltar os jovens contra a igualdade de género, contra as mulheres, contra migrantes”, justifica Chung.