Uma alimentação baseada em vegetais pode estar associada a um menor risco de desenvolver alguns tipos de câncer. É o que aponta um estudo internacional recente que analisou dados de mais de 1,8 milhão de pessoas e investigou a relação entre padrões alimentares e incidência de tumores. 

A pesquisa, publicada no British Journal of Cancer, observou que indivíduos que seguem dietas vegetarianas apresentaram menor probabilidade de desenvolver pelo menos cinco tipos de câncer, entre eles os de mama, próstata, rim, pâncreas e cólon.

Os resultados indicam que, em alguns casos, a redução do risco chegou a cerca de 31%. Os pesquisadores explicam que dietas baseadas em alimentos de origem vegetal tendem a ser mais ricas em fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, substâncias que ajudam a combater processos inflamatórios e o estresse oxidativo no organismo, fatores que podem contribuir para o surgimento de doenças crônicas, incluindo o câncer.

Outro aspecto apontado pelos especialistas é que esse padrão alimentar costuma incluir maior consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico. Esses alimentos estão associados a um melhor funcionamento do sistema digestivo e a um perfil metabólico mais saudável, o que pode ajudar na prevenção de diversas doenças.

A pesquisa também destaca que existem diferentes formas de adotar uma alimentação com menos produtos de origem animal. A dieta vegetariana exclui carnes, mas pode incluir ovos e laticínios. Já a alimentação vegana elimina todos os alimentos de origem animal. Há ainda o padrão pescetariano, que inclui peixes, mas não carnes vermelhas ou aves. Embora todos esses modelos priorizem alimentos de origem vegetal, os especialistas ressaltam que o impacto na saúde depende da qualidade geral da dieta.

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores alertam que dietas muito restritivas ou mal planejadas podem provocar deficiência de nutrientes importantes. Entre os principais estão vitamina B12, ferro, proteínas, cálcio e ômega-3, que precisam ser obtidos por meio de combinações alimentares adequadas ou, em alguns casos, suplementação orientada por profissionais de saúde.

Por isso, nutricionistas reforçam que não basta apenas retirar a carne do prato. Para que a alimentação seja equilibrada, é necessário garantir variedade de alimentos e boas fontes de proteína vegetal, como leguminosas, sementes, castanhas e grãos integrais. A inclusão regular de frutas e verduras também é fundamental para fornecer vitaminas, fibras e antioxidantes.