O enjoo provocado pelo movimento dos carros elétricos não é um mito e, por isso, a Mercedes patenteou uma solução para o problema.

Enjoar no carro é um problema para muitas pessoas, que se veem indispostas sem sequer precisarem de se aventurar em curvas e contra-curvas.

Curiosamente, o problema parece piorar quando a viagem é feita num carro elétrico.

Conforme explorámos em julho do ano passado, um número crescente de estudos e de pessoas descobriu que sente mais enjoos ao viajar em veículos eletrificados do que em carros tradicionais a gasolina ou diesel.

O maior enjoo em veículos elétricos pode ser atribuído à falta de experiência prévia, tanto como motorista quanto como passageiro, em que o cérebro não consegue estimar com precisão as forças do movimento porque se baseia na experiência prévia noutros tipos de carros.

Explicou William Emond, estudante de doutoramento que investiga o enjoo em carros na Université de Technologie de Belfort-Montbéliard, em França, conforme vimos, na altura.

Resumidamente, os nossos corpos estão habituados aos sons e sensações que os carros alimentados por combustível proporcionaram durante décadas, e a transição para um veículo totalmente elétrico remove parte dessa familiaridade.

Juntando isso à resposta mais imediata destes veículos, à travagem regenerativa agressiva e à condução com um único pedal, por vezes é difícil conciliar entre aquilo que os nossos olhos veem e aquilo que o corpo sente.

Mercedes patenteou uma solução para o problema nos carros elétricos

Conforme notado pelo CarBuzz, a Mercedes-Benz patenteou uma possível solução para combater o enjoo dentro dos carros elétricos.

A proposta consiste em simular a sensação de movimento através do uso de luzes e fluxo de ar no interior.

A patente revela uma multiplicidade de saídas de ar (presumivelmente ocultas) que ajustam continuamente a quantidade de ar que entra no habitáculo: quanto mais rápido o carro se move, mais fortes funcionam os ventiladores, e vice-versa.

Sobre as luzes, utiliza-se a iluminação ambiente do veículo para replicar a sensação de movimento através de estimulação visual adicional.

Conforme citado pelo AutoBlog, a patente menciona a alteração da cor das luzes durante aceleração ou travagem, bem como o uso de padrões e setas para fornecer pistas visuais mais dinâmicas.

Apesar da solução, que é a mais recente neste âmbito a ser conhecida, importa ressalvar que a Mercedes não é a primeira fabricante a patentear uma ideia deste tipo.

Além disso, uma tecnologia patenteada nem sempre se torna numa solução real, que chega aos clientes. De facto, o problema das patentes é que apresentá-las não significa que as veremos aplicadas, servindo, muitas vezes, apenas para proteger a ideia.