A Fórmula 1 poderá introduzir alterações ao regulamento técnico de 2026 já a partir do Grande Prémio do Japão, no final de março. A possibilidade será discutida após a corrida deste fim de semana na China, numa tentativa de responder às críticas dirigidas às novas unidades motrizes e à gestão de energia.

A nova geração de carros e motores introduzida em 2026 tem gerado opiniões divididas entre pilotos, equipas e adeptos. Por um lado, os novos chassis — mais ágeis e menos dependentes do conceito extremo de efeito de solo — receberam avaliações positivas. Por outro, as novas unidades motrizes têm sido alvo de críticas devido à forte dependência da gestão da energia elétrica.

Apesar das críticas, a FIA e os responsáveis da Fórmula 1 defendem que é prematuro introduzir mudanças imediatas sem uma avaliação mais abrangente do comportamento dos novos carros em corrida. Após reuniões realizadas entre a FIA, a organização da F1 e as equipas entre os testes do Bahrein e o Grande Prémio da Austrália, foi definido um calendário para analisar o impacto do regulamento antes de qualquer intervenção.

A decisão foi evitar uma reação precipitada antes da primeira corrida da temporada. Além disso, Melbourne é considerado um dos circuitos mais exigentes do calendário em termos de gestão de energia, o que poderia distorcer a análise se servisse como única referência.

Assim, a avaliação mais detalhada será feita após o Grande Prémio da China, quando já existirem dados de duas corridas. Caso se conclua que são necessárias alterações urgentes, estas poderão ser implementadas já no Grande Prémio do Japão, marcado para 29 de março. Ajustes adicionais poderão ser introduzidos nas provas seguintes.

A eventual suspensão dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita, prevista para abril devido ao agravamento das tensões no Médio Oriente, poderá também criar uma janela adicional para aperfeiçoar o regulamento antes da corrida de Miami, em maio.

Entre as mudanças em análise está a revisão dos parâmetros de gestão energética, incluindo o equilíbrio entre a energia recuperada e a energia disponibilizada aos pilotos. Uma das hipóteses passa por aumentar a eficácia do chamado super clipping, o que facilitaria o carregamento das baterias. Outra opção em estudo consiste em reduzir a potência máxima disponibilizada pela unidade motriz, o que diminuiria a potência total, mas permitiria aos pilotos utilizar o impulso elétrico durante períodos mais longos.

Foto: Philippe Nanchino /MPSA