Margarida Maldonado Freitas deixou claro que “não há primeiras-damas no país” e o marido, o recém-empossado presidente da República António José Seguro, declarou que iria respeitar a decisão da mulher em querer prosseguir a sua vida profissional como gestora e farmacêutica em vez de voltar a ocupar a formalidade de um lugar que, perante a lei, não está especificado em Portugal. Uma função que há dez anos não se lhe conhece um rosto, mas que chegou a ser ocupado por nomes como Manuela Eanes, Maria Barroso, Maria José Ritta – que chegou mesmo ter gabinete próprio – ou Maria Cavaco Silva.
Apesar de não querer recuperar o lugar, a companheira de Seguro escolheu precisamente usar um vestido na cor que primeiras-damas norte-americanas e francesa elegeram em tempo de tomada de posse do primeiro mandato dos maridos.
Jackie Kennedy continua, há mais de 65 anos, a ser a referência e a inspirar quase todas as mulheres que tomam a dianteira no dia em que os companheiros e chefes de estado são empossados. A peça azul bebé de gola subida com botões de grandes dimensões da antiga primeira-dama norte-americana, assinado pelo designer de moda norte-americano Oleg Cassini, fazem lembrar a escolha de Margarida Maldonado Freitas.
A par da gola subida e mangas compridas, a cor evoca o legado de Jackie, a primeira grande embaixadora da moda norte-americana a partir da Casa Branca. Por cá, a gestora e farmacêutica conferiu ao vestido alegadamante da casa de luxo italiana Valentino, ligeiramente abaixo do joelho, um toque de portugalidade único, alterando-o: colocou três corações de Viana no lugar do abotoamento, trazendo a tradição de Viana do Castelo na estreia em Belém. Uma decisão que a coloca na linha da frente das tendências, com verdadeiros botões-joia, a que juntou uma mala Carolina Herrera e uns sapatos de salto baixo pretos.
A escolha do azul não é um acaso. Melania Trump fê-lo em Ralph Lauren aquando da primeira tomada de posse de Donald Trump na Casa Branca, nos Estados Unidos da América, em janeiro de 2017. Nesse mesmo ano, em maio, a francesa Brigitte Macron, companheira do presidente francês Emmanuel Macron, escolheu tonalidade semelhante para um vestido Louis Vuitton acima do joelho e um casaco de corte mais militar e botões brilhantes.
Melania Trump na tomada de posse do primeiro mandato de Donald Trump (Foto: AFP)
Brigitte Macron na tomada de posse do primerio mandato do presidente francês Emmanuel Macron (Foto: AFP)
Mais tarde, em 2021, Jill Biden, primeira-dama norte-americana e mulher do ex-presidente dos EUA Joe Biden também optou por um coordenado em azul, de Markarian, mas com mais detalhes: em várias matizes de azul trazidas pela composição de materiais como veludo, tweed, seda e chiffon.
Jill Biden na tomada de posse do marido Joe Biden em 2021 (Foto: Captura de ecrã)
Este quase “azul-primeira-dama” que parece repetir-se um pouco por toda a parte, mesmo em países em que o papel e as funções não têm a mesma amplitude, e a razão está no significado. Na verdade, o tom esta associado a verdade, confiança, serenidade, credibilidade, equilíbrio e estabilidade.