Desde que a seleção iraniana foi eliminada da Taça da Ásia ao perder no domingo por 0-2 com as Filipinas em Gold Coast, no estado de em Queensland, o governo australiano ficou sob pressão para proteger a equipa iraniana.

Isto porque as jogadoras foram criticadas na televisão estatal iraniana por terem cometido o “ápice da desonra” depois de terem ficado em silêncio durante o hino nacional. “Os traidores em tempos de guerra devem ser tratados com severidade”, disse o apresentador Mohammad Reza Shahbazi, citado pela agência Reuters.

Enquanto uns diziam que esse silêncio era um ato de resistência, outros argumentavam que era uma demonstração de luto na sequência dos primeiros ataques dos EUA e de Israel. Uma dúvida que não foi desfeita pelas jogadoras, que nas partidas com a Austrália e as Filipinas cantaram o hino enquanto faziam continência numa clara indicação de que tinham recebido ordens para fazê-lo.

O sindicato internacional dos jogadores, a FIFPRO, disse estar “preocupada” com o bem-estar das atletas, uma vez que não conseguia entrar em contato com elas desde que, após o jogo com as Filipinas, dezenas de pessoas cercaram o autocarro da seleção gritando “deixem-nas ir” e “salvem nossas meninas”.

A cadeia de televisão norte-americana CNN revelou que alguns adeptos disseram ter visto pelo menos três jogadoras, já dentro do autocarro, a fazer o gesto internacional de socorro.

Reza Pahlavi tinha alertado para o facto de a equipa enfrentar uma grande ameaça depois do “ato corajoso” de não ter cantado o hino. “Como resultado deste ato corajoso de desobediência civil ao se recusarem a cantar o hino nacional do atual regime, elas vão enfrentar graves consequências se voltarem ao Irão. Apelo por isso ao governo australiano para que garanta a segurança delas e lhes dê todo o apoio”, escreveu o príncipe herdeiro, que se encontra exilado nos Estados Unidos.