António Leitão Amaro defende que o Parlamento é hoje a melhor garantia dessa proteção.

O governante explica que que a comparência da direção de informação da Lusa no Parlamento é um mecanismo de escrutínio e não de ingerência politica e sublinha que não existe qualquer obrigação anual de audições, apenas a possibilidade de serem convocadas.Leitão Amaro diz que o objetivo é tornar a Lusa mais forte, mais independente e com maior capacidade de atuação.

Foram palavras de António Leitão Amaro num jantar-debate, em Lisboa, organizado pela Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social, em que insistiu que os serviços públicos de media precisam de uma transformação e defende as mudanças.

Camila Vidal – Antena 1
Na Agência Lusa as mudanças já motivaram protestos. Há manifestações esta quinta-feira e greve parcial – das 10h00 às 14h00.

Em Lisboa os trabalhadores concentram-se na sede do Governo, no Campus XXI. No Porto o encontro é à porta da redação da Lusa.





Quanto à RTP, o governante fala numa aproximação de redações da rádio, televisão e multimédia
, mas que os trabalhadores temem que se traduza numa fusão das redações.

“Nem um novo Sócrates nem qualquer outro ministro”
As preocupações mantêm-se: as palavras de ontem de António Leitão Amaro não descansaram os trabalhadores da agência, com o ministro da Presidência a afirmar que é precisa uma Lusa “muito mais forte” e “desgovernamentalizada”.

“Achamos o oposto do senhor ministro: a reestruturação que quer fazer na Lusa levanta-nos sérios receios de uma instrumentalização e ingerência política na agência”, considerou Susana Venceslau, jornalista na Lusa e dirigente sindical, da parte do Sindicato dos Jornalistas.

No entender de Susana Venceslau, ouvida esta manhã pela Antena 1, o ministro entendia que “havia efetivamente uma governamentalização da agência”.

Mas as alterações que o Governo pretende fazer vão no caminho errado, afirma, com a nomeação direta de três administradores pelo Governo em vez de um, a que se junta um conselho consultivo que, entre os membros, teria seis apontados pelo poder político.

A dirigente sindical lamenta que não haja representantes dos jornalistas no conselho, tendo em conta que os órgãos de comunicação social são os principais clientes da agência. 

Sobre a referência a José Sócrates, Susana Venceslau pede que não se caiam em ilusões: “Não vamos ser ingénuos a pensar que isso só aconteceu no governo do ex-primeiro-ministro, isso acontece quase sempre”.



“Aquilo que defendemos é que não haja nem um novo Sócrates nem qualquer outro ministro”
, refere, com a necessidade apontada de garantir a independência da Lusa.