A Live Nation Entertainment, a maior promotora de concertos do mundo, chegou a acordo com o Departamento de Justiça norte-americano enquanto decorria o processo judicial em que é visada por conduta monopolista na indústria dos eventos ao vivo, informou o Departamento de Justiça.
O acordo representa uma vitória para a Live Nation, que tem enfrentado críticas dos legisladores relativamente aos preços inflaccionados dos bilhetes e ao acesso aos eventos de entretenimento ao vivo. Também permite ao Departamento de Justiça evitar o que poderia ter sido uma longa batalha judicial e proporcionar aquilo que chama de benefícios mais rápidos para artistas e respectivos fãs.
Para o estado de Nova Iorque e 24 outros estados, juntamente com Washington, D.C., o acordo não é suficiente e planeiam avançar com processos àquela que é uma das maiores empresas do mundo no sector dos espectáculos ao vivo.
A Live Nation, proprietária da plataforma de venda de bilhetes Ticketmaster e da imensa maioria (78%) das maiores salas de concertos dos Estados Unidos, venderá até 13 anfiteatros ao abrigo do acordo proposto e será impedida de retaliar contra os locais que recusem utilizar a Ticketmaster para emitir bilhetes, diz o acordo, entre outras disposições destinadas a dar mais opções aos artistas e aos locais de espectáculo. A fonte é um alto funcionário do Departamento de Justiça.
“Estamos satisfeitos por dar mais passos no sentido de dar mais poder aos artistas e aos locais de venda de bilhetes nas suas decisões [e processos de venda e revenda de bilhetes] e estamos confiantes de que continuaremos a ter sucesso com base na qualidade do que fornecemos”, afirmou o presidente da Live Nation, Michael Rapino.
As acções da empresa sediada na Califórnia subiram cerca de 4,6% na segunda-feira, quando surgiram as primeiras notícias de que as partes tinham chegado a acordo.
Outros pontos do acordo proposto são impedir a Ticketmaster de exigir que os artistas utilizem os seus serviços de promoção de concertos se actuarem nos anfiteatros ao ar livre de que é proprietária, disse o mesmo alto funcionário do Departamento de Justiça; a Ticketmaster também terá de introduzir um canal autónomo que permita que outras plataformas de venda e revenda de bilhetes, como a SeatGeek e a StubHub, se liguem à sua tecnologia, disse o funcionário.
A Live Nation poderá pagar até 280 milhões de dólares (aproximadamente 241 milhões de euros) para resolver as queixas do Estado no âmbito do acordo, disse o mesmo funcionário do Departamento de Justiça. O acordo de compensação terá de ser aprovado pelo juiz para ser finalizado, depois de uma consulta pública.
Alguns profissionais do sector dos eventos ao vivo têm reagido com críticas ao acordo. “O montante do acordo de indemnização comunicado pela Live Nation equivale a quatro dias das suas receitas de 2025, o que significa que poderão recuperar o dinheiro até esta sexta-feira”, afirmou Stephen Parker, director executivo da National Independent Venue Association.
Ahmed Nimale, um ex-executivo da Live Nation que agora dirige o fornecedor de bilhetes TIX, disse que o acordo não é suficiente para travar o monopólio da Ticketmaster e da Live Nation, uma vez que os locais de espectáculo dependem financeiramente de pagamentos antecipados que desencorajam a mudança. “Quando uma única empresa tem um balanço de milhares de milhões de dólares, também controla o efeito de alavanca que molda os preços, as taxas e o acesso”, afirmou.
Fãs e políticos intensificaram os apelos para que se analisasse a aquisição da Ticketmaster pela Live Nation em 2010, depois de a empresa ter sujeitado os fãs de Taylor Swift a longas filas de espera online, cobrando preços exorbitantes pelos bilhetes para a sua digressão de 2022, Eras.
Em Maio de 2024, o Departamento de Justiça e mais de duas dúzias de estados processaram a Live Nation, exigindo a venda da Ticketmaster e alegando que as empresas inflacionaram ilegalmente os preços dos bilhetes dos concertos e prejudicaram os artistas.
Dos 39 estados, e ainda Washington, D.C., que moveram uma acção judicial juntamente com o Departamento de Justiça, apenas Arkansas, Iowa, Mississippi, Nebraska, Oklahoma, Carolina do Sul e Dakota do Sul indicaram que vão aderir ao acordo, de acordo com documentos judiciais.
Um advogado da Live Nation disse em tribunal que a empresa está a procurar uma resolução mais ampla e global das queixas anticoncorrenciais a nível estatal.
A procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, disse que não iria aderir ao acordo, que, segundo ela, “não aborda o monopólio no centro deste caso e beneficiaria a Live Nation à custa dos consumidores”.
A gigante global do mercado dos concertos entrou em Portugal em 2024, com a compra da Ritmos&Blues e da gestora da Meo Arena, em Lisboa.