Os serviços de informação portugueses lançaram um alerta a informar que “está em curso uma campanha cibernética global, patrocinada por um Estado estrangeiro, com o objectivo de obter acesso às contas de WhatsApp e de Signal de governantes, diplomatas, militares e outros responsáveis com acesso a informação”.

O aviso, divulgado esta terça-feira pelo Serviço de Informações de Segurança (SIS), não identifica o Estado que estará por trás desta campanha, mas um alerta semelhante feito pelos serviços de informação holandeses na véspera refere-se expressamente a “hackers do Estado russo”. As autoridades dos Países Baixos acreditam que outras pessoas de interesse para os governantes russos, como jornalistas, também podem ser alvo desta campanha​ e admitem que entre os alvos e vítimas destes ataques há funcionários do Governo holandês.

“Os atacantes procuram levar os utilizadores das plataformas de comunicações a partilhar dados sensíveis, como palavras-passe, que lhes permitam comprometer as respectivas contas no WhatsApp e o Signal”, lê-se no alerta.

Estes piratas informáticos, avisam os serviços secretos portugueses, “podem aceder a conversações individuais e de grupo, a ficheiros partilhados, ou mesmo lançar novas campanhas de phishing tendo como alvos os contactos dos utilizadores”.


O alerta explica que há vários modos de actuação, podendo os atacantes fazer-se passar por técnicos de apoio do WhatsApp ou do Signal (que até podem ser robôs de conversação) que alertam os visados para um alegado risco de segurança que para ser resolvido obriga à partilha dos códigos de acesso à conta. As autoridades holandesas dizem que este é o método mais frequente.

Outro modo usado é a partilha de links ou de códigos QR que, se forem activados, podem comprometer a conta da vítima e as comunicações associadas. Por vezes, o atacante faz-se passar por alguém de confiança do visado (usando imagens ou até a voz dessa pessoa) e tenta retirar informação privilegiada à vítima. Estes contactos podem ser feitos por mensagem, telefone ou até videochamada.

Face a estas ameaças, o SIS recomenda algumas medidas de protecção, como nunca partilhar credenciais e códigos de contas, verificar por meios de contacto alternativos e habituais (por email ou por telefone, por exemplo) a veracidade de todas as novas interacções no WhatsApp e no Signal, não permitir ser adicionado sem autorização a grupos nas duas plataformas e limitar a leitura de códigos QR por essa via. Aconselha igualmente que se maximize as definições de segurança e privacidade tanto no WhatsApp como no Signal e que se reporte às entidades competentes as situações suspeitas, nomeadamente ao SIS.

A escolha do Signal e do WhatsApp deve-se, segundo acreditam as autoridades portuguesas e holandesas, ao facto de as duas plataformas serem consideradas canais de comunicação confiáveis e seguros por oferecerem encriptação de ponta a ponta. “Apesar da opção de encriptação de ponta a ponta, aplicações como o Signal e o WhatsApp não devem ser utilizadas como canais para informações classificadas, confidenciais ou sensíveis”, afirma o director de um dos serviços de informação holandeses, vice-almirante Peter Reesink, citado no alerta.

As autoridades holandesas referem que os utilizadores do Signal podem verificar pessoalmente se há algum contacto potencialmente comprometido nos seus grupos. “Se vir alguma pessoa que aparece duas vezes na lista de membros (com o mesmo nome ou um nome ligeiramente diferente), isso pode ser evidência de uma conta comprometida ou de uma nova conta criada por uma vítima”, referem.