No mundo da tecnologia, vinte anos são uma eternidade. Se olharmos para trás, há duas décadas estávamos a descobrir o que era o YouTube e a maioria de nós ainda tinha uma “caixa” pesada e cinzenta na sala.
No entanto, há uma constante que tem resistido a crises económicas, revoluções de streaming e mudanças de hábitos de consumo: a liderança da Samsung Electronics no mercado global de televisores.
Acabamos de receber os dados mais recentes da consultora Omdia e os números não mentem. Em 2025, a gigante sul-coreana fechou o ano com uma quota de 29,1% do mercado global em valor. Traduzindo do “economês” para português corrente: quase um terço do dinheiro gasto em televisões em todo o mundo vai para os bolsos da Samsung. E isto acontece consecutivamente desde 2006. Não é apenas sorte; é uma lição de engenharia e, acima de tudo, de antecipação.
O “Bordeaux” que mudou tudo
Para percebermos como chegámos aqui, temos de recuar a 2006. Foi o ano da Bordeaux TV. Naquela altura, a Samsung percebeu algo que hoje parece óbvio, mas que era revolucionário: a televisão não era apenas um ecrã, era um objeto de design. Com linhas inspiradas num copo de vinho, esse modelo tirou a TV do armário e colocou-a no centro da decoração. Foi o pontapé de saída para uma maratona de inovação que não deu tréguas à concorrência.
Carolina Simões de Almeida, a responsável de marketing da Samsung em Portugal, refere que esta liderança é o reflexo de uma confiança construída ao longo de décadas. E a verdade é que, quando entramos numa loja hoje, a percepção de que a Samsung é o “porto seguro” da tecnologia de ecrã está enraizada no consumidor português.
Uma Cronologia de Disrupção: De LED a Inteligência Artificial
A Samsung não se limitou a vender ecrãs; ela definiu o que os ecrãs deviam fazer. Se olharmos para os marcos históricos, é fácil perceber por que é que as outras marcas passaram vinte anos a correr atrás do prejuízo:
- 2009: Introdução massiva dos televisores LED. De repente, as TVs ficaram finas e eficientes.
- 2011: O nascimento das Smart TVs. O ecrã deixou de ser passivo para passar a ser um computador ligado à rede.
- 2017: Lançamento da The Frame. Aqui a Samsung criou uma categoria: a Art TV. Quando está desligada, é um quadro; quando está ligada, é um cinema. Genial.
- 2020: A chegada do MICRO LED. Uma tecnologia auto-emissiva que ainda hoje é o “Santo Graal” do brilho e contraste em tamanhos gigantescos.
Mas, como blogger que testa estes equipamentos, o que mais me fascina não é o passado, mas o que está a acontecer agora em 2026. A Samsung está a apostar tudo no que chamam de AI Screen. Já não se trata apenas de pixéis; trata-se de processadores que analisam a imagem e o som em tempo real, corrigindo as falhas do conteúdo original para que tudo pareça filmado em 8K, mesmo que estejamos a ver um vídeo antigo.
O Futuro chama-se Micro RGB e IA Generativa
A estratégia para os próximos anos parece estar bem delineada. A Samsung anunciou recentemente a primeira TV Micro RGB do mundo, elevando a fasquia da precisão de cor a níveis que antes só víamos em monitores de estúdio de Hollywood. Ao mesmo tempo, estão a democratizar a tecnologia Mini LED, levando o contraste “quase OLED” a gamas de preço mais acessíveis através da linha Neo QLED.
O que é interessante notar é que, apesar de serem líderes, não pararam de investir no OLED. A gama atual da marca combina o melhor dos dois mundos: a profundidade de pretos do OLED com a luminosidade brutal dos pontos quânticos (Quantum Dots). Para quem joga ou vê desporto em salas iluminadas (como é o caso de muitas casas portuguesas), este equilíbrio é crucial.
Vale a pena o “hype”?
Muitas vezes perguntam-me: “A Samsung é realmente melhor ou é apenas marketing?”. A resposta curta é que a consistência ganha jogos. Podes encontrar um modelo isolado de outra marca que tenha um preço mais agressivo ou um detalhe técnico superior, mas o ecossistema da Samsung — desde o sistema operativo Tizen à integração com os telemóveis Galaxy — cria uma experiência de utilizador muito difícil de bater.
Vinte anos no topo não acontecem por acaso. A Samsung soube transformar um eletrodoméstico utilitário numa peça de design, num hub de jogos e, agora, num assistente inteligente com IA. Para nós, consumidores, esta concorrência feroz que a Samsung lidera só traz benefícios: ecrãs maiores, melhores resoluções e preços que, ajustados à inflação, nunca foram tão convidativos para a qualidade que recebemos.
E tu? Qual foi a tua primeira televisão “plana”? Ainda te lembras ou já fazes parte da geração que só conhece o 4K e a Smart TV?

