Dormir sete ou oito horas seguidas durante vários dias consecutivos e ainda assim não consegue acordar descansada? Esta indagação é mais comum do que possa pensar e não é a única que vive neste permanente estado de exaustão. “Infelizmente a quantidade não é qualidade”, responde, de imediato, a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Vânia Caldeira.

Em declarações a propósito do dia Mundial do Sono, que se assinala nesta sexta-feira, 13 de março, a médica vinca que “existem muitas doenças que podem impactar negativamente a normal estrutura e qualidade do sono, diminuindo a proporção de sono profundo ou aumentando os despertares e a fragmentação do sono”. Entre elas, a especialista destaca “a apneia do sono, a ocorrência de paragens respiratórias durante o sono, particularmente prevalente na menopausa e que faz com que as mulheres acordem sempre cansadas, com dores de cabeça frequentes, com dificuldades de atenção e memória ou alterações do humor”.

E, sim, um fim de semana bem dormido ou mais descansado também não trará o alívio que procura porque, como afirma a também coordenadora da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia: ” Muitas vezes tentamos recuperar ao fim de semana a dívida de sono da semana mas infelizmente o sono não é recuperável e, por isso, é essencial manter um sono com adequada duração e regularidade de horários e uma boa higiene do sono todos os dias.” “A privação de sono, ou seja, dormir menos do que as necessidades, é um problema crescente na sociedade moderna”, avisa, sendo “a principal causa de sonolência durante o dia”, o que “tem riscos para a saúde do próprio, mas também para a saúde pública por acidentes de viação ou acidentes de trabalho”.

Vânia Caldeira, pneumologista especialista em Medicina do Sono e coordenadora da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (Foto: DR)

Caso esteja a enfrentar este estado de exaustão ou sente que “tem dificuldade em adormecer ou em manter o sono, se sente que não é reparador e que acorda sempre cansada, ou tem dificuldades de concentração e memória, dificuldades de desempenho no trabalho ou sonolência durante o dia deve agendar uma consulta de Medicina do Sono”, recomenda Vânia Caldeira. Quando o “problema reside apenas na quantidade de sono é essencial mudar hábitos – colocar o sono na agenda, aumentar o tempo de sono e assegurar uma boa higiene do mesmo”, sugere a especialista. Por fim, mediante um aumento do tempo a dormir, se “as queixas de sono não reparador, cansaço matinal, fadiga ou sonolência se mantiverem, é essencial uma avaliação em consulta de sono para excluir os principais distúrbios como a apneia do sono e a insónia”, sublinha a pneumologista.

Importa lembrar que, como sublinha a médica, “uma mulher adulta deve dormir entre sete a nove horas”, ainda que necessidades de sono sejam individuais e variem de pessoa para pessoa”. As adolescentes “necessitam de oito a dez horas e com o avançar da idade, tipicamente, as necessidades diminuem para as sete a oito horas”, finaliza.