Foi na parte de sócios versus clientes que Bruno Sá falou mais tempo para defender também o porquê da sua candidatura. “Parece óbvio para toda a gente, menos para o doutor Frederico Varandas, que os sócios hoje no Sporting não têm direitos. Fala de aumentos, aumentos… Ele que diga quantos sócios aumentou com um Sporting bicampeão… Ele raramente vai ao pavilhão. Há um desligar com esta Direção. Até tinha o lema ‘Unir os sócios’, agora já não convém dizer. Aliás, tinha membros das claques dentro da sua Direção, depois chateou-se e afastou-se das pessoas. É estranho falar em sócios quando os critérios de bilhética são o que são. Fala em sócios, raramente vai aos Núcleos. Marca jogos para horários em que as pessoas não podem vir. Fala em sócios, tem o site que tem. Fala-se muito em futuro, em termos ingleses… É óbvio para toda a gente. Cria uma bancada para as pessoas tiraram selfies. Prefere ter uma green list com lista de espera, fazer obras só na central e abandonar os outros sócios. Os 300 que está sempre com o trauma, os tais notáveis. Esta Direção é alérgica a pessoas e essa é das minhas grandes preocupações”, começou por dizer.

“A parte comercial já está criada. O ideal será haver um meio-termo. Recorda-se o que acontecia a adeptos que tinham Gamebox há mais de 20 anos? Além de serem descalços para entrarem no estádio… Chegou ao ponto de meter uma claque lá em cima depois de ter feito um acordo. O clube está fechado, as pessoas não conseguem adquirir bilhetes. Quem entra na porta 10 não tem revistas, nas portas 8 e 9 as pessoas entram a meio do jogo. As pessoas, os sócios não se sentem em casa. Ninguém pode ficar de fora. Todos os sócios são importantes. Um dos critérios tem de ser ‘Quem tinha lugar há mais de 20 anos não pode ser agora excluído’. Há pessoas que não podem pagar tanto por ano. Tem de haver uma bancada comum, para todos. Todos têm direito de estar no Estádio. Claro que o meio termo é difícil alcançar mas o Sporting está muito virado para o corporate. Aqueles lugares novos são muito virados para o corporate, para os instagramers, influencers… Mas o que é que isso interessa? Ganhar e ter a família toda de fora?”, acrescentou Bruno Sá.

“Se concordo? Não, de todo. E basta agarrar nos factos, que são os números. O Sporting tinha 74 mil sócios com quotas em dia, hoje tem 125 mil. O Bruno insiste que o sócio é mal tratado, então o sócio deve ser masoquista e atrasado mental, porque há muito mais sócios hoje. Não admito que há pessoas que se acham os donos morais do amor ao clube e que só eles sentem o clube. Há pessoas que gostam de ser presidentes do Sporting e não fazem noção do que é estar neste cargo. Fala sempre no Sporting dos sócios e que sentia ao ir ao pavilhão… Ser presidente do Sporting não é bater no peito. Sou sócio desde que nasci, o meu avó era dos mais antigos, o meu pai, o meu irmão, a minha mãe… A minha tia avó trabalhou na ginástica, colega do professor Reis Pinto. A minha sobrinha professora da ginástica. Não me ensina o que é ser Sporting. Sofri a minha vida toda a ver o Sporting e ver Benfica e FC Porto lá em cima. A minha geração, que é a sua, é a mesma. O sócio hoje é feliz no Sporting porque ganha e vê os rivais abaixo, coisa que nunca vi, coisa que o meu pai que tem 71 anos também nunca viu…”, respondeu Varandas num tom mais irritado até Bruno Sá dizer que conhecia uma tia do atual presidente, que aí esboçou um sorriso com a abordagem.

“Hoje o sócio do Sporting tem orgulho do Sporting, tem orgulho dos valores e tem títulos. Hoje chego à escola do meu filho, na primária, e dois terços dos miúdos são sportinguistas. Infelizmente o estádio tem 50 mil lugares, hoje vendemos 30 mil Gamebox, 16 mil sócios em espera e sabem porquê? Porque gostam de ser maltratados? Gostamos dos sócios, tomara eu ter um estádio para 120 mil. Não só nos preocupamos mas sabemos o grau de satisfação deles. Todos os jogos fazemos um inquérito de satisfação e a média é de oito numa escala de um a dez. Temos um fosso fechado, mudámos as cadeiras, pintámos o estádio, tirámos os azulejos”, disse depois Varandas. “Você tem de ser verdadeiro. Está farto de falar, basta olhar para o cronómetro. Já em o dobro do tempo… Você quer ser o presidente de alguns, eu quero ser o presidente de todos. Até já antecipou que daqui a 36 horas vai ganhar outra vez. Você é maior do que o Sporting, esse é que é o seu grande problema, falta de humildade”, voltou a referir Bruno Sá a esse propósito.

A parte dos Grupos Organizados de Adeptos, um dos previsíveis pontos quentes do debate, começou por ser abordado por Frederico Varandas. “Estou no Sporting com missão e a missão era entregar o Sporting melhor do que o tinha encontrado. O Sporting não está melhor, está 100 vezes melhor. Quero lá saber do nome de Frederico Varandas, nas placas, no que quer que seja. Interessa-me o Sporting. Não quero o meu nome em lado nenhum. O que quero são os títulos do Sporting e que as novas gerações continuem a ser Sporting”, começou por referir Frederico Varandas, antes de abordar a questão das claques… e não só.

“Os GOA, os Leões de Portugal, o Grupo Stromp, os Cinquentenários… Respeito todos. Estes grupos estão para servir o Sporting e não o contrário. O Sporting não tem problema com qualquer GOA, não quer a extinção de nenhum GOA ou qualquer grupo. Mas a política é clara: estes grupos existem porque existe o Sporting.  O Sporting respeita os grupos e só há um que aceitou ser um grupo oficial, que é a Brigada. Directivo, Juventude Leonina e Torcida não querem estar nas ZCEAP. Respeitamos, agradecemos, estamos gratos pelo apoio que dão no estádio e no pavilhão, foram fundamentais pelos inúmeros títulos que conquistámos. Gostaríamos de dar melhores condições. Já perguntámos à UEFA mas os grupos recusam-se a ir para as ZCEAP porque não querem ser identificados. Falar da Casinha ou das sedes… Acabámos com o bilhar e tirámos o ténis de mesa dali porque precisamos do espaço… A prioridade é o Sporting, enquanto estivermos aqui. O ténis de mesa está a treinar fora, uma modalidade que nos dá títulos. A resposta é simples: Sporting Bilhar? A resposta é simples: ou era bilhar ou era fechar o fosso…”, apontou o presidente.

“Manda uma modalidade com 30 anos de história como o bilhar embora… Manda todos embora? Você é o maior populista que passou pelo Sporting, chama de tudo às pessoas. Diga mais. Você está com mais 20 minutos do que eu… Mandou toda a gente embora, não arranjou alternativa. Nem para o Diretivo, nem para a Brigada, nem para o bilhar…”, salientou Bruno Sá. “Os GOA fazem parte da história do clube. Este senhor não quer falar com ninguém quando ganha, imaginem quando não ganhamos… Evidente que não podemos ganhar sempre, então não há diálogo com os GOA. Bilhar, sai. Brigada, sai. Tira-se a sala aos Leões de Portugal, sai. Você não quer saber das pessoas, só pensa em negócio…”, acrescentou o empresário.