A Red Bull saiu da Qualificação Sprint do Grande Prémio da China com um diagnóstico preocupante: o RB22 esteve longe do ritmo dos da frente e mais próximo do meio do pelotão, do que da frente, com Max Verstappen a classificar o dia como “um desastre completo em termos de andamento”. O tricampeão mundial não foi além do oitavo lugar na grelha da Sprint, a 1,7 segundos da pole de George Russell, enquanto Isack Hadjar fechou o top 10 e já considerou positivo o simples facto de ter chegado a SQ3.

“Todo o dia foi um desastre em termos de ritmo”, desabafou Verstappen. “Sem aderência. Honestamente, acho que esse é o maior problema: sem ‘grip’, sem equilíbrio, a perder enormes quantidades de tempo em curva.”

O neerlandês explicou ainda que, a partir desse défice estrutural, “começam a aparecer outros pequenos problemas”, mas insistiu que o foco está na forma como o carro se comporta em apoio: “O grande problema para nós é que a passagem em curva está completamente fora…”

A qualificação confirmou as dificuldades já detetadas no único treino livre. Durante o TL1, Verstappen chegou a dizer ao engenheiro Gianpiero Lambiase que os pneus dianteiros “morriam completamente depois da Curva 3” e que o carro subvirava tanto que a frente “simplesmente deixava de responder”. Mais tarde, pediu à equipa para verificar o monolugar porque “parecia partido” e queixou‑se ainda de problemas nas passagens de caixa.

Críticas ao equilíbrio e à unidade motriz, Mekies pede desculpa

Mesmo depois de garantir o oitavo tempo, o campeão mundial manteve um discurso duro. Em plena sessão, questionou no rádio se aquela era “mesmo a entrega” de energia da unidade motriz, acrescentando que “está ainda pior agora”. Perante a resposta de Lambiase – “Nada que possas fazer do teu lado” –, Verstappen não conteve a frustração: “Nunca tive nada tão mau com tudo junto.” No final, descreveu o carro como “inguiável”.

O cenário poderia ter sido ainda mais penalizador: ambos os Red Bull só passaram a SQ3 por margens mínimas, com Verstappen a ficar a menos de uma décima de ser eliminado por Nico Hülkenberg em SQ2. Na avaliação do neerlandês, faltou base desde o início. “Sem aderência consistente, sem equilíbrio, só a perder tempo em todas as curvas”, resumiu, admitindo que, para já, nem sequer sabe qual a direção certa para as mudanças de afinação entre a Sprint e a qualificação para o Grande Prémio. “Vamos ver. Neste momento não sei o que podemos fazer. Vamos analisar.”

No final da sessão, o chefe de equipa Laurent Mekies assumiu o desconforto interno com a prestação do RB22 e usou o rádio para pedir desculpa ao seu piloto principal. “Desculpa, Max, foi duro”, reconheceu. “Há muito para aprender.” A frase sintetiza o estado de uma Red Bull que, à saída de Xangai, deixa de ser apenas “a quarta força” teórica para se ver, pelo menos neste fim de semana, engolida por Mercedes, McLaren, Ferrari e até por surpresas vindas da Haas e da Alpine – e que tem agora poucas horas para tentar transformar um dia “catastrófico” num ponto de viragem, em vez de num mau presságio para o resto da época.