Incidentes à parte, João Almeida apresentou o projeto de lei do CDS como uma forma de assegurar legalidade, uniformidade e neutralidade institucional nas bandeiras que podem ser hasteados em edifícios públicos – que os centristas, tal como o Chega, restringem à nacional, à da União Europeia e outras institucionais e heráldicas, referentes a regiões autónomas, autarquias, forças de segurança ou militares -, excluindo o que disse serem expressões “de divisionismo, de propaganda e de vanguardismo social”.
Fabian Figueiredo foi o primeiro a acusar os autores das propostas de se dirigirem contra a utilização de bandeiras arco-íris em edifícios públicos, dizendo que estas “não estão lá por acaso”, pois tratam-se de “símbolos de uma luta pelo direito à vida”. Recordando que a homossexualidade foi crime até 1982, o bloquista citou o ex-dirigente centrista Adolfo Mesquita Nunes, ao dizer que “houve sempre razões para ter medo” na comunidade LGBT.
Quanto o deputado Nuno Simões de Melo apresentou o projeto de lei do Chega, referindo-se a “bandeiras associadas a comunidades específicas”, recebeu um elogio irónico de Pedro Delgado Alves, pois “disse ao que vinha, sem receio”. Para o deputado socialista, os autores das propostas “criam um problema que não existe para alimentarem guerras culturais”.
Também Paulo Muacho, do Livre, disse que a “suposta neutralidade ideológica ideológica e política” defendida nas iniciativas legislativas não se coaduna com o episódio em que o Chega utilizou a fachada da Assembleia da República para pendurar pendões com a cara de André Ventura. E acrescentou que a aprovação dos projetos de lei impediria que fosse projetada nessa mesma fachada as cores da Ucrânia ou de Israel.
“Todos percebemos que isto é uma forma encapotada de continuar a perseguir a comunidade LGBT”, prosseguiu Muacho, dizendo que “a obsessão da direita” – tendo começado por dizer que “é cada vez mais fácil distinguir o CDS do Chega” – não conseguirá proibir as pessoas LGBT de serem livres.
Depois do liberal Jorge Manuel Teixeira e de a social-democrata Carolina Marques terem feito reparos aos projetos de lei, ainda houve tempo para o deputado do Chega Pedro Frazão acusar o CDS de não ter votado contra a projeção da bandeira arco-íris nas escadarias e fachada da Assembleia da República. Foi desmentido pelo líder parlamentar centrista, Paulo Núncio, e acabaria por retratar-se, alegando ter sido induzido em erro por uma notícia.
Por seu lado, a líder parlamentar comunista Paula Santos disse que o CDS e o Chega “parece que fazem uma competição para ver qual dos dois é mais reacionários”, afastando que exista “qualquer tipo de problema com a utilização de bandeiras” e imputando “propósitos censórios e autoritários” aos autores das propostas. E a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, qualificou de “constrangedor” ver um partido que apoia o Governo “fazer uma perseguição aos direitos, liberdades e garantias”.