Um juiz federal dos Estados Unidos (EUA) bloqueou as intimações emitidas contra a Reserva Federal (Fed) no âmbito de uma investigação criminal sobre o seu presidente, Jerome Powell. Esta investigação está a ser liderada pela procuradora de Washington D.C., Jeanine Pirro.


“Será que os procuradores emitiram essas intimações com um propósito legítimo? O Tribunal considera que não”, escreveu o juiz James Boasberg. “Existem provas abundantes de que o objetivo principal (se não único) das intimações é assediar e pressionar Powell para que ceda ao Presidente ou se demita e dê lugar a um presidente da Reserva Federal que o faça”, acrescentou.


Por outro lado, disse ainda o mesmo juiz, “o Governo não apresentou qualquer prova de que Powell tenha cometido outro crime além de desagradar o Presidente”.


A informação é revelada num documento judicial divulgado nesta sexta-feira e citado pela CNBC.


No início deste ano, Powell anunciou que o banco central enfrentava uma ação judicial por não cortar as taxas de juro, algo que tem sido recorrentemente exigido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Num comunicado divulgado nessa altura, Jerome Powell disse que a instituição tinha recebido uma intimação do Departamento de Justiça que poderia levar a um processo de destituição, com base numa audiência em junho.


Entretanto, Pirro veio responder à decisão do juiz norte-americano e considerou que “Jerome Powell está agora a gozar de total imunidade”, acrescentando que “a decisão é errada e carece de fundamento jurídico”. A declaração surge num momento em que o senador republicano Thom Tillis prometeu continuar a bloquear a nomeação de Kevin Warsh no Senado norte-americano até que a investigação sobre Powell esteja concluída.


Warsh foi indicado por Donald Trump para substituir Powell – que termina o seu mandato em maio – na presidência da Fed.