
Uma nova investigação descobriu que os gatos não giram como uma unidade única, tendo dois movimentos principais que lhes permitem aterrar sempre de pé.
Há mais de um século que os cientistas se deixam fascinar por uma questão aparentemente simples, mas intrigante: como é que os gatos conseguem aterrar de pé com tanta precisão sempre que caem? Embora a física já tenha explicado que os gatos podem reorientar-se no ar sem violar a lei da conservação do momento angular, a mecânica anatómica por detrás desta proeza acrobática ficou em grande parte inexplorada — até agora.
Um novo estudo publicado na revista The Anatomical Record descobriu que o segredo reside na estrutura e flexibilidade únicas da coluna vertebral dos gatos.
A equipa examinou cinco cadáveres de gatos doados, isolando cuidadosamente as colunas vertebrais com ligamentos e discos intervertebrais intactos. Os cientistas dividiram cada coluna em duas regiões: as vértebras torácicas (metade anterior) e lombares (metade posterior), e depois mediram o torque, a rigidez, o ângulo de rotação e as zonas neutras, utilizando um dispositivo de torção.
Os resultados foram surpreendentes. A coluna torácica apresentou uma elevada flexibilidade, com uma zona neutra de aproximadamente 47 graus e uma rigidez cerca de um terço inferior à da coluna lombar. Em contraste, a região lombar mostrou-se muito mais rígida, praticamente sem zona neutra, demonstrando que as metades anterior e posterior da coluna vertebral de um gato estão mecanicamente otimizadas para funções diferentes.
Higurashi et al., Anat. Rec., 2026

Sequência de um gato a girar no ar para aterrar em pé
Para observar como isto se traduz em movimentos reais, os investigadores filmaram dois gatos a cair de uma altura de aproximadamente um metro sobre almofadas macias, utilizando câmaras de alta velocidade. As imagens revelaram que os gatos não giram como uma unidade única. Em vez disso, a região torácica (anterior) roda primeiro, seguida pela região lombar (posterior) cerca de 70 a 95 milissegundos depois. A equipa sugere que esta rotação sequencial é facilitada pela menor massa e maior flexibilidade da metade anterior, permitindo que o gato se reoriente no ar de forma eficiente antes de aterrar, explica o Science Alert.
Além de explicar a agilidade aérea felina, esta especialização da coluna vertebral pode suportar outros movimentos, como o galope ou as mudanças rápidas de direção, em que os segmentos espinhais independentes melhoram a agilidade.
Os investigadores reconhecem as limitações do estudo, incluindo o facto de que o corte das caixas torácicas dos cadáveres pode alterar ligeiramente as propriedades mecânicas. No entanto, as suas descobertas estão de acordo com estudos anteriores em gatos vivos anestesiados.
Este estudo acrescenta uma nova camada à compreensão do “problema do gato que cai”, destacando não só a física, mas também as notáveis adaptações anatómicas dos nossos amigos felinos.