Os maiores aerogeradores em terra, as maiores pás — cada uma mede 85 metros e pesa 20 toneladas — e um caminho sinuoso que leva até ao cimo da serra do Barroso. É aqui, entalado entre o Minho e Trás-os-Montes, que está a ser instalado o maior parque eólico de Portugal promovido pela Iberdrola.

A última etapa de uma viagem longa começa cerca de mil metros abaixo, em Cabeceiras de Basto, onde se pode assistir ao transporte dos equipamentos que, pela sua dimensão e continuidade, obriga a recorrer a um veículo inovador. O espetáculo não é novo para os locais, mas ainda chama a atenção, até porque obriga ao corte de um dos principais acessos rodoviários à vila durante cerca de meia hora.

O percurso começa no distrito de Braga (Cabeceiras de Basto) e termina em Salto (concelho de Montalegre já no distrito de Vila Real) onde está a ser construído o parque eólico do Alto Tâmega que, para além do maior em potência, será também o primeiro desta dimensão ficar associado a um sistema hidroelétrico, diz a Iberdrola.

Antes do recurso ao vento, foi a água do rio Tâmega que atraiu o investimento na produção de energia renovável. O complexo hidroelétrico do Alto Tâmega resultou do concurso lançado em 2007 pelo Governo de José Sócrates para a construção de novas barragens e do qual a elétrica espanhola foi uma das vencedoras.

O empreendimento demorou dez anos a ser construído e está a operar à máxima capacidade desde 2024, quando ficou concluída a última das três barragens que o compõem. Com uma potência de 1.1158 megawtts, dos quais 800 megawatts correspondem ao sistema de bombagem, o Alto Tâmega tem uma capacidade de produção anual estimada de 1766 Gigawatts hora. Junta-se a produção estimada para o parque eólico que é de 600 Gigawatts hora.

À combinação das duas tecnologias renováveis chama-se hibridização, um conceito que permite potenciar a produção renovável injetada na rede, jogando com os dois recursos — a água e o vento — e tirando partido dos mesmos pontos de ligação à rede.

A instalação do equipamento do parque eólico começou já no ano passado e assume uma dimensão verdadeiramente multinacional.

As pás são fabricadas na Polónia e as torres são fabricadas em Espanha. As naceles (onde estão instalados dois contentores com geradores, a parte elétrica e mecânica) vêm da Dinamarca. É, aliás, a empresa dinamarquesa Vestas, outro gigante do setor mundial das renováveis, que é responsável pela entrega e montagem de todo o equipamento, desde os locais de origem até ao porto de Aveiro e desde o Porto de Aveiro até Cabeceiras de Basto através de camiões TIR. A última parte do percurso é assegurada pela Laso, uma empresa portuguesa de Mafra.