O “naked dress” deixou de ser apenas uma questão de roupa: tornou-se numa afirmação de poder, autonomia e ousadia. Sutiãs, cintas e cuecas deixaram de ser peças íntimas escondidas e passaram a integrar o visual como elementos centrais. A transparência transforma-se assim numa linguagem de estilo, onde cada recorte, bordado ou camada de tule é pensado ao detalhe.

Celebridades como Chappell Roan e Karol G mostraram recentemente que revelar o corpo pode ser tão sofisticado quanto um vestido clássico de gala.

Chappell Roan e Karol G (Fotos: Amy Sussman/ Getty Images via AFP)

A temporada de prémios de 2026 confirma a força desta tendência: nos Globos de Ouro, Jennifer Lawrence deslumbrou com um vestido transparente da Givenchy, bordado com flores estrategicamente colocadas.

Já Teyana Taylor surgiu com um modelo da Schiaparelli, com recortes no busto e uma cauda halter fluída, enquanto Li Jun Li, nos Actor Awards, destacou-se com um vestido de lantejoulas vermelho sustentado apenas por laços laterais, num jogo entre cobertura e exposição que captou todas as atenções.

A tendência não se limita ao tapete vermelho. Na primeira fila, na passada quinta-feira, a influenciadora italiana Chiara Ferragni destacou-se no desfile da Valentino, em Roma. Antes, em fevereiro, em Paris, Angelina Jolie roubou os holofotes na antestreia de “Couture” com um vestido cravejado de pedrarias sobre tule transparente. O efeito luminoso, aliado à bainha assimétrica e às franjas cristalizadas, conferiu-lhe um toque sofisticado e levemente punk, provando que a ousadia atravessa tanto passarelas como eventos internacionais.

O exemplo de Carrie

A ideia de vestir transparência não é nova. A expressão “naked dress” ganhou popularidade em 1998 numa cena da série “O sexo e a cidade”, quando a personagem Carrie Bradshaw usou um “slip dress” (uma espécie de camisa de dormir) bege da Donna Karan. Muito antes, figuras como Marilyn Monroe ou Jane Birkin já tinham explorado a nudez sugerida na moda. O vestido usado por Monroe em 1962, ao cantar “Happy birthday” para John F. Kennedy, tornou-se num dos momentos mais icónicos da história do estilo. Mais tarde, Jennifer Lopez levou o conceito a novos patamares de visibilidade mediática com vestidos recortados e transparentes.

Com os Oscars a poucas horas, cresce a expectativa para perceber se a pele à vista continuará a dominar uma das passadeiras vermelhas mais mediáticas do ano. Até porque nem todas acolhem esta ousadia sem reservas.

No ano passado, no Festival de Cannes, a organização anunciou que, “por razões de decência”, a nudez seria proibida no tapete vermelho e noutras áreas do festival. Ainda assim, estrelas como Bella Hadid ou Naomi Campbell já mostraram que o arrojo continua a desafiar regras e a ocupar um lugar de destaque na moda.