Samsung Mobile pode ter primeiro trimestre com prejuízo na históriaCréditos: Roh Tae-moon, Presidente e Chefe da Divisão DX – Divulgação/Samsung

A divisão de smartphones da Samsung pode enfrentar um desafio inédito em sua história recente. Mesmo após o lançamento da linha Galaxy S26, que registrou forte demanda e números elevados de pré-venda, a área de dispositivos móveis da empresa corre o risco de registrar prejuízo pela primeira vez em um trimestre.

Informações divulgadas pela imprensa sul-coreana indicam que a Samsung colocou a divisão MX (Mobile Experience) em modo de emergência financeira. A medida ocorre em meio a pressões de custo que vêm reduzindo rapidamente as margens da empresa, principalmente devido à forte alta no preço de componentes fundamentais para a fabricação de smartphones.

O alerta chama atenção porque a unidade de celulares sempre foi uma das áreas mais lucrativas da companhia. Caso as projeções se confirmem, o setor pode atravessar um dos momentos mais desafiadores desde a consolidação da Samsung como líder global em smartphones.

Custos de memória disparam e comprimem margens

O principal fator apontado para a deterioração da rentabilidade está no mercado de semicondutores.

De acordo com relatórios recentes, o preço de chips de memória subiu cerca de 850% no último ano, um salto que altera profundamente a estrutura de custos da indústria de smartphones.

Como esses componentes são indispensáveis em praticamente todos os dispositivos móveis, o impacto chega diretamente às fabricantes. Mesmo empresas que produzem seus próprios chips, como a Samsung, acabam sentindo os efeitos da valorização no mercado global.

O aumento expressivo prejudica a margem de lucro por aparelho vendido. Assim, mesmo com volumes de vendas elevados, o resultado financeiro final pode ficar muito abaixo do esperado.

Os números projetados para a divisão mobile ilustram o tamanho da pressão financeira. No último ano, a Samsung MX registrou lucro operacional de aproximadamente 12,9 trilhões de won sul-coreanos, valor equivalente a cerca de US$ 8,6 bilhões.

Para este ano, estimativas apontam que esse resultado pode cair para aproximadamente 5 trilhões de won, ou cerca de US$ 3,3 bilhões. Na prática, isso representa uma redução superior a 60%.

A queda também aparece na margem operacional: no primeiro trimestre de 2025, o índice estava em torno de 11%. Agora, analistas indicam que o número pode recuar para apenas 3%, um nível significativamente menor para um negócio de grande escala como o de smartphones.

Algumas fontes internas afirmam que manter margem de apenas 1% em 2026 já seria considerado um resultado positivo, panorama que aumenta as preocupações dentro da empresa.

Divulgação/Samsung

Galaxy S26 vende bem, mas pode não compensar custos

Curiosamente, a pressão financeira ocorre mesmo após um lançamento considerado bem-sucedido. A Samsung informou que a linha Galaxy S26 registrou crescimento de dois dígitos em pré-vendas em diversos mercados, além de superar recordes de gerações anteriores.

Isso indica que o problema atual está menos relacionado à demanda e mais à estrutura de custos da indústria.

Em outras palavras, vender mais aparelhos deixou de ser garantia de maior lucro, principalmente quando o preço de componentes estratégicos sobe em ritmo acelerado.

Fontes citadas pela imprensa coreana afirmam que a empresa acompanha a situação com atenção.

Em discussões internas sobre os resultados recentes, executivos teriam reconhecido que o ambiente atual exige ajustes rápidos na operação para preservar a rentabilidade.

Samsung coloca divisão de dispositivos em modo de emergência

Diante desse cenário, a Samsung iniciou uma série de medidas de contenção. A divisão DX (Device Experience), que reúne as áreas de celulares, televisores e eletrodomésticos, passou a operar sob um regime interno de controle mais rigoroso.

Esse tipo de protocolo costuma ser adotado quando a empresa busca reduzir despesas e reorganizar prioridades operacionais.

A área de eletrodomésticos e a divisão responsável por TVs e monitores também enfrentam dificuldades financeiras. Juntas, essas unidades podem registrar prejuízo de cerca de 200 bilhões de won neste ano, repetindo o resultado negativo do período anterior.

Corte de custos chega a viagens e estrutura corporativa

Entre as medidas adotadas pela companhia está a determinação de reduzir gastos em aproximadamente 30% em todas as divisões.

O plano inclui restrições em despesas administrativas, reorganização de equipes e possível realocação de funcionários entre departamentos

Até mesmo políticas de viagem corporativa foram revistas. Executivos que anteriormente podiam viajar em classe executiva passaram a utilizar classe econômica em voos com duração inferior a dez horas, uma mudança que ilustra o esforço para cortar custos operacionais.

Em alguns casos, funcionários mais antigos podem ser incentivados a aderir a programas de aposentadoria antecipada, medida comum em processos de ajuste financeiro dentro de grandes conglomerados.

Pressão se espalha por toda a indústria de smartphones

O que acontece com a Samsung não parece ser um caso isolado. Outras fabricantes de smartphones também enfrentam pressões semelhantes em suas margens.

Empresas como Honor, OPPO, Vivo e Xiaomi operam no mesmo ambiente de custos e dependem de cadeias de suprimentos semelhantes. Com componentes mais caros e competição intensa em preços, a rentabilidade do setor se tornou mais volátil.

Além disso, o mercado global de smartphones atravessa um período de crescimento mais lento em comparação com a década passada, o que torna ainda mais difícil compensar aumentos de custos apenas com maior volume de vendas.

Leia também:

Teste real para o modelo de negócios da indústria móvel

A possível entrada da divisão mobile da Samsung no vermelho, mesmo com vendas robustas, ilustra uma transformação importante na indústria de tecnologia.

Durante muitos anos, o crescimento da demanda por smartphones sustentou margens confortáveis para grandes fabricantes. Hoje, o setor convive com cadeias de suprimentos mais caras, ciclos de atualização mais longos e competição intensa entre marcas.

Se as previsões se confirmarem, o eventual prejuízo da divisão Samsung MX pode marcar um ponto de inflexão para o mercado de smartphones. O episódio mostraria que, mesmo líderes globais com enorme escala de produção, precisam adaptar estratégias para um cenário em que custo de componentes e eficiência operacional se tornaram fatores decisivos.

Fonte(s): Fnnnews