Segundo o MP, a mulher fazia parte de uma rede organizada que, através de documentação falsa, retirava pessoas de Angola e fazia-as entrar no Espaço Schengen através de Portugal. Em troca de uma quantia monetária, os criminosos preparavam e organizavam a viagem, incluindo a obtenção ou falsificação de toda a documentação, e acompanhavam os viajantes até Portugal.

Os arguidos usavam vários métodos. Recorriam a Títulos de Viagem Única (TVU”s) previamente elaborados por elementos da estrutura criminosa ou usurpavam a identidade de cidadãos luso-angolanos para depois usar ou adulterar Títulos de Viagem Provisórios (vulgo Livre Trânsitos ou Laisser-Passer) emitidos pelos Serviços Consulares de Portugal em Luanda a favor de dessas pessoas. Ou, então, também forjavam eles próprios estes documentos de viagem provisória.

Por cada serviço, a rede recebia entre seis e oito mil euros, excluindo as despesas com as viagens que ficavam sempre a cargo dos clientes.

O esquema acabou por se descoberto pelo MP e pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária. A arguida foi detida e a 11 de março de 2025 foi-lhe aplicada a medida de coação de prisão preventiva, à qual ainda se encontram sujeita, por ter sido declarada a excecional complexidade dos autos.

Foi agora acusada de um crime de associação de auxilio à imigração ilegal, 15 crimes de auxilio à imigração ilegal, 13 crimes de falsificação ou contrafação de documento e quatro crimes de falsificação de documento na modalidade de uso de documento de identificação ou de viagem alheio.