Assim aconteceu, com a realização de Anderson a arrebatar o Óscar de melhor filme do ano e ainda as distinções de mais cinco categorias. O próprio Anderson ganhou em duas delas, realização e argumento adaptado (sem esquecer que, na qualidade de produtor, também partilha o prémio de melhor filme), sendo as restantes duas as de melhor actor secundário, para Sean Penn, ausente na cerimónia, e melhor casting, da responsabilidade de Cassandra Kulukundis.
A entrega do Oscar de casting constituiu um dos momentos mais simbólicos da noite, já que se tratava de uma novidade no palmarés da Academia. A respectiva apresentação esteve a cargo de cinco intérpretes dos filmes nomeados: Paul Mescal (Hamnet), Gwyneth Platrow (Marty Supreme), Chase Infiniti (Batalha Atrás de Batalha), Wagner Moura (O Agente Secreto) e Delroy Lindo (Pecadores). Com sobriedade e rigor, todos defenderam o trabalho de escolha e acompanhamento de actores e actrizes como uma tarefa fulcral na construção de qualquer filme.
Ainda assim, convém não sugerir que o valor de tal trabalho envolve qualquer menosprezo pela relação do cinema (sobretudo o actual cinema de Hollywood) com o progresso tecnológico. Os Óscares para F1 e Avatar: Fogo e Cinzas foram a expressão disso mesmo: a aventura de Brad Pitt no mundo da Fórmula 1 ganhou na categoria de melhor som e a continuação da saga de James Cameron na de efeitos visuais. Em paralelo, importa também sublinhar a performance da nova versão de Frankenstein, de Guillermo del Toro, com vitórias nas categorias de cenografia, guarda-roupa e caracterização.