Cuba está a sofrer um apagão total desde esta segunda-feira, o sexto no último ano e meio. A população do país caribenho, que ronda os 10 milhões de pessoas e que tem enfrentado apagões que duram horas ou dias, vê-se sem energia eléctrica num momento em que a infra-estrutura energética da ilha parece à beira do colapso.

Muito dependente das importações de petróleo, Cuba perdeu uma das suas principais fontes em Janeiro, quando os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e cortaram o fornecimento de combustível venezuelano.

Horas depois de o apagão se iniciar esta segunda-feira, Donald Trump declarou aos jornalistas na Sala Oval que seria “uma grande honra tomar Cuba”. Há várias semanas que o Presidente norte-americano alimenta a especulação sobre as intenções dos Estados Unidos em Havana, alternando entre apelos para que o Governo cubano faça acordos e ameaças veladas sobre o fim do regime.

Além da Venezuela, os Estados Unidos conseguiram que também o México suspendesse as suas vendas de petróleo a Cuba, privando Havana dos seus dois maiores fornecedores. Quanto à Rússia e à China, aliados históricos dos cubanos, não foram muito além de palavras para tentar aliviar a crise.

De acordo com a Reuters, Cuba recebeu apenas dois carregamentos marítimos de petróleo e gás desde o início do ano.

Os constantes cortes de energia estão a deixar exasperados os cubanos, que têm protestado quase diariamente contra uma situação que os impede de trabalhar, de estudar e, simplesmente, de guardar comida no frigorífico.

A empresa estatal Unión Eléctrica (UNE) admitiu que o sistema eléctrico da ilha tinha sofrido uma “desconexão total” esta segunda-feira e que estava a trabalhar para restabelecer o fornecimento. Não foram avançadas as causas do apagão nem quanto se prevê que dure.