Flores, dias mais longos e temperaturas amenas anunciam a chegada da primavera. Para muitas pessoas, porém, esta estação também marca o início de semanas difíceis por causa das alergias

Primavera à porta e alergias em alerta. Saiba como lidar!

A primavera é frequentemente associada a paisagens coloridas e dias mais luminosos, mas para muitas pessoas pode transformar-se num verdadeiro desafio para a saúde respiratória. Com a floração de árvores e plantas, aumentam também os níveis de pólen no ar, um dos principais desencadeadores de alergias sazonais.

Segundo a médica imunoalergologista Sofia Pinto Luz, esta é a estação do ano que mais coloca à prova quem sofre de alergias respiratórias. Estima-se que uma parte significativa da população conviva com sintomas como espirros frequentes, corrimento nasal ou olhos irritados durante este período.

Entre as manifestações mais comuns encontra-se a rinite alérgica, caracterizada por congestão nasal, espirros repetidos e comichão no nariz ou na garganta. Muitas pessoas apresentam também sintomas oculares, como vermelhidão, lacrimejo e sensação de irritação nos olhos. Em alguns casos, podem surgir ainda sinais respiratórios mais intensos associados à asma alérgica, como tosse seca persistente, sensação de aperto no peito ou dificuldade em respirar.

Grande parte destas reações está relacionada com a presença de pólenes na atmosfera. Na primavera, as gramíneas são uma das principais responsáveis pelas alergias, com períodos de polinização que podem prolongar-se entre março e junho. Em países mediterrânicos, como Portugal, o pólen da oliveira é também um desencadeador frequente de sintomas alérgicos, sobretudo entre maio e junho.

Outro fator que tem influenciado a intensidade das alergias nas últimas décadas é a mudança das condições meteorológicas. Alterações no clima podem modificar os ciclos de polinização e tornar mais difícil prever os períodos de maior concentração de pólen no ar.

Apesar de serem muitas vezes encaradas como um incómodo passageiro, as alergias não devem ser ignoradas. Algumas pessoas recorrem apenas a anti-histamínicos de forma ocasional para aliviar os sintomas, mas sem acompanhamento médico adequado. No entanto, quando não tratada, a inflamação alérgica pode persistir ao longo do tempo e evoluir para outras doenças respiratórias, como a asma alérgica.

Existem, contudo, algumas estratégias simples que podem ajudar a reduzir o impacto das alergias durante a primavera. Consultar o boletim polínico para acompanhar os níveis de pólen no ar, evitar atividades ao ar livre nos dias de maior concentração e proteger os olhos com óculos de sol são algumas das medidas recomendadas. Também é aconselhável manter as janelas fechadas em períodos de maior polinização ou privilegiar a ventilação da casa em horários de menor concentração de pólen.

Quando os sintomas se tornam persistentes ou mais intensos, procurar acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença. Hoje existem diferentes opções terapêuticas capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas alérgicas.

Porque, apesar de ser uma das estações mais bonitas do ano, a primavera pode ser exigente para quem sofre de alergias. A boa notícia é que, com informação e acompanhamento adequados, é possível viver esta época com muito mais conforto.