• Violência contra mulheres, um problema de saúde • Comunicação e saúde em debate • Rotulagem frontal traz benefícios • E MAIS: estupros coletivos; Marina na Fiocruz; antidepressivos na água; movimento antivacina •

— Foto: Fernanda Andrade.

Receba o Boletim Outra Saúde

De segunda a sexta, às 7h, as principais notícias de Saúde em seu email

Agradecemos!

A partir de amanhã você já começa a receber o Boletim Outra Saúde.

.

Uma das principais vozes do campo da comunicação e saúde no Brasil, Inesita Araújo, em entrevista à revista Radis, falou sobre os principais desafios da área e como sua trajetória a auxilia a enfrentá-los. A pesquisadora, que atua no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), faz sua crítica à maneira como os setores da saúde buscam se comunicar: “A gente não sabe criar debate, a gente sabe dar ordem”. 

Para Inesita, é preciso repensar a comunicação. A pesquisadora defende algo além de um processo mecânico de transferência de informação, mas sim uma rede em que haja um movimento permanente de interlocução, em constante processo de produção e circulação de modos de ver e praticar a saúde.

Ela reforça ainda que a comunicação é central para a produção de conhecimento e de sentidos sobre o mundo e sobre a vida, apesar de as instituições ainda não terem se dado conta dessa importância. “As pessoas agem no mundo a partir dos sentidos que atribuem ao que veem, ouvem, recebem. E quem produz sentidos é a comunicação. Aliás, esse é o grande poder da comunicação: fazer ver, fazer crer e fazer agir”, explica. 

Impactos da violência em mulheres e crianças

Estudo publicado na revista The Lancet, com dados coletados entre 1990 e 2023 em 204 países e territórios, investigou como a violência doméstica ou sexual pode prejudicar a saúde da vítima a curto e longo prazo. As consequências podem ser físicas e psicológicas. Ferimentos, aborto, infeção pelo vírus HIV, quadros de ansiedade, depressão, automutilação, dependência de drogas e até a morte são alguns dos profundos efeitos da violência em mulheres e crianças. 

No período analisado, a taxa de mortalidade no país em decorrência da agressão de parceiros permaneceu estável em 3,2 casos por 100 mil mulheres, enquanto no mundo caiu de 7,6 por 100 mil para 4,8 por 100 mil. Especialistas reforçam que o enfrentamento deve ser feito de maneira integrada, com o planejamento não apenas de ações de segurança, mas também de saúde, educação, trabalho, habitação e assistência social.

Rotulagem frontal de alimentos nas Américas 

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou uma nova publicação, que analisa a adoção de sistemas de rotulagem nutricional frontal de advertência em oito países das Américas. O relatório busca comparar esses sistemas  a evidências científicas e às recomendações da entidade.

A publicação aponta a relevância da adoção dos sistemas no enfrentamento a doenças relacionadas à má alimentação, as quais se encontram em ascensão globalmente. Doenças crônicas não-transmissíveis, como as cardiovasculares, o diabetes e alguns tipos de câncer, já são a principal causa de morte na região e estão estreitamente ligadas à alimentação, por meio do alto consumo de produtos ultraprocessados e processados com níveis elevados de açúcares, gorduras e sódio.

***

• 15 estupros coletivos por dia 

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam que, de 2022 a 2025, foram registrados 22.800 casos de estupro coletivo no Brasil, ou seja, mais de 15 casos por dia. Crescimento em casos de violência contra a mulher mostram que episódios não são isolados. Confira mais informações.

• Justiça ambiental e saúde 

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ministrou uma aula magna na a Escola de Governo Fiocruz Brasília sobre os presentes desafios na justiça ambiental e saúde. O debate perpassou as desigualdades que agravam a crise climática: “Os mais afetados são aqueles que menos contribuíram para o problema”. Saiba mais.

• Poluição por fármacos

Pesquisa da USP tem sucesso em eliminar resíduos do antidepressivo fluoxetina no tratamento de água. O novo método pode ser um avanço para combater toxicidade e reduzir a contaminação dos organismos que vivem nas águas. Conheça o projeto.

• Médicos perante pais antivacinas

Em onda de desconfiança e desinformação com a saúde, pediatras estadunidenses enfrentam dificuldades em promover a imunização de seus pacientes. Entidades promovem cursos para tentar recuperar a confiança dos pais. Entenda.

Outras Palavras é feito por muitas mãos. Se você valoriza nossa produção, seja nosso apoiador e fortaleça o jornalismo crítico: apoia.se/outraspalavras