Segundo os procuradores, Kouri Richins, de 35 anos, colocou cinco vezes a dose letal do opioide sintético numa bebida que o marido, Eric Richins, bebeu em março de 2022. O médico legista disse que a droga foi ingerida por via oral, que se tratava de fentanil “ilícito” e não de fentanil de grau médico.

A mulher tinha uma dívida de 4,5 milhões de dólares (3,9 milhões de euros) e acreditava erroneamente que, quando o marido morresse, herdaria um património de mais de quatro milhões de dólares (3,5 milhões de euros). A acusada fez também diversos seguros de vida em nome do marido sem o seu conhecimento, com benefícios que totalizavam cerca de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros).

Além disso, Richins planeava um futuro com outro homem com quem mantinha um relacionamento extraconjugal. Os procuradores mostraram mensagens entre Richins e Robert Josh Grossman, o alegado amante, nas quais fantasiava sobre deixar o marido, ganhar milhões no divórcio e casar-se com Grossman. “Ela queria separar-se de Eric Richins, mas não queria abrir mão do dinheiro dele”, disse o procurador do Condado de Summit, Brad Bloodworth, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

O histórico de buscas na internet do telemóvel de Richins incluía “qual é a dose letal de fentanil”, “prisões de luxo para os ricos da América” e “se alguém for envenenado, o que consta na certidão de óbito”.

Um ano após a morte de Eric, Richins escreveu um livro infantil sobre o luto, que dedicou ao seu “incrível” marido.

Richins também foi condenada por outros crimes graves, incluindo uma acusação de tentativa de homicídio, num caso que as autoridades alegaram ter sido mais uma tentativa de envenenar o marido semanas antes, no Dia dos Namorados, com uma sandes com fentanil que o fez desmaiar. Os jurados também consideraram Richins culpada de falsificação e de reivindicar fraudulentamente benefícios do seguro após a morte do marido.

A sentença está marcada para 13 de maio, dia em que o marido completaria 44 anos. A acusação de homicídio qualificado, por si só, acarreta uma pena entre 25 anos a prisão perpétua.