Michael Nessa / GoFundMe

Angela Robin Lipps

Angela Lipps foi detida por suposta fraude bancária cometida num Estado onde nunca pôs os pês. Esteve presa durante meio ano, quatro meses sem possibilidade de fiança, e nunca foi chamada a prestar declarações.

Uma norte-americana passou quase seis meses na prisão após ter sido erradamente identificada por um sistema de reconhecimento facial usado pela polícia de Fargo, no estado norte-americano do Dakota do Norte.

Angela Lipps, de 50 anos, mãe de três filhos e avó de cinco netos, foi detida em julho passado à porta de casa por agentes federais norte-americanos, enquanto tomava conta de quatro crianças.

Os agentes disseram que estava a ser procurada por alegada fraude bancária no Dakota do Norte, apesar de garantir que nunca tinha estado naquele estado e de sempre ter vivido no centro-norte do Tennessee, a mais de 1.600 quilómetros de distância — o estado onde estava a ser detida.

Segundo a rádio norte-americana WDAY, a primeira a noticiar o caso, a mulher foi inicialmente detida numa cadeia do Tennessee como “fugitiva” do Dakota do Norte, sem possibilidade de fiança durante quase quatro meses. Foi-lhe atribuído um advogado oficioso para o processo de extradição e transmitida a informação de que teria de viajar para o Dakota do Norte para contestar as acusações.

O erro remonta a uma investigação a fraudes bancárias ocorridas em abril e maio de 2025. Os documentos da polícia de Fargo obtidos pela estação de rádio explicam.

Imagens de videovigilância mostravam uma mulher a usar uma identificação militar falsa do Exército dos EUA para levantar dezenas de milhares de dólares. Para tentar identificar a suspeita, os investigadores recorreram a um software de reconhecimento facial com inteligência artificial, que apontou Angela Lipps como correspondência.

A polícia terá feito pouca ou nenhuma verificação adicional antes de avançar com o caso. Os documentos indicam que um detetive considerou que os traços faciais, o tipo de corpo e o cabelo da suspeita coincidiam com os de Lipps. Ainda assim, a mulher afirma que nunca foi contactada pela polícia de Fargo para prestar esclarecimentos antes de ser presa.

Após a detenção, a polícia de Fargo demorou 108 dias a transferi-la da prisão no Tennessee para o Dakota do Norte. Só em dezembro, já depois de ter passado mais de cinco meses atrás das grades, foi finalmente interrogada pelas autoridades daquele estado.

A defesa conseguiu, entretanto, apresentar registos bancários que mostravam que Lipps estava no Tennessee, a mais de 1.900 quilómetros do local dos crimes, nas datas em que a fraude terá ocorrido. A mulher foi libertada na véspera de Natal e o caso acabou por ser arquivado.

Segundo o relato da própria vítima, a polícia não lhe pagou sequer a viagem de regresso a casa. Sem dinheiro, ficou retida em Fargo até que advogados locais reuniram fundos para lhe pagar hotel e uma organização sem fins lucrativos tratou do seu regresso ao Tennessee.

Lipps diz ter perdido a casa, o carro e até o cão durante os meses em que esteve presa. Diz também à rádio que nunca recebeu um pedido de desculpas da polícia de Fargo.


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