Cuba deverá receber nos próximos dias os primeiros carregamentos de petróleo e combustível ao fim de vários meses de bloqueio imposto pelos EUA.
Os dois navios transportam petróleo e combustível russo, de acordo com o Financial Times, que cita informações relativas ao transporte marítimo. O objectivo é mitigar a profunda crise energética que se abateu sobre Cuba ao fim de três meses sem conseguir receber produtos petrolíferos, na sequência de um bloqueio decretado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Na segunda-feira, deverá chegar um navio com bandeira de Hong Kong que transporta 27 mil toneladas de gasóleo russo, de acordo com Samir Madani, co-fundador da empresa de informações marítimas TankerTrackers.com, citado pelo FT.
No início de Abril está prevista a chegada a Cuba do navio russo Anatoly Kolodkin com mais de 700 mil barris de petróleo a bordo. A empresa Sovcomflot, no entanto, prevê que o navio, que está sob sanções, atraque na ilha já na segunda-feira.
Cuba tem vivido uma das maiores crises de energia das últimas décadas que, no início desta semana, levou a um colapso do sistema energético, deixando a ilha às escuras durante várias horas. A ilha estava dependente do fornecimento de petróleo por parte da Venezuela, mas, desde o ataque norte-americano que decapitou o regime chavista, os envios para Cuba foram cortados.
Em Janeiro, Trump assinou uma ordem executiva em que foi declarada uma emergência nacional decorrente da “ameaça extraordinária” proveniente de Havana para a segurança nacional dos EUA e impôs, na prática, um bloqueio naval ao fornecimento de petróleo a Cuba, ameaçando com tarifas pesadas qualquer país que forneça a ilha.
O último envio de petróleo pelo México aconteceu a 9 de Janeiro e, desde então, Cuba está privada de fornecimento energético externo.
Trump não tem escondido o objectivo de forçar uma mudança de regime em Cuba ou, pelo menos, de retirar o actual Presidente, Miguel Díaz-Canel, do poder e impor sobre a ilha uma tutela idêntica à que está em vigor na Venezuela.
Nesta semana, o Presidente norte-americano disse acreditar que irá ter “a honra de tomar Cuba”, realçando que o país “está muito enfraquecido neste momento”. “Quer eu os liberte ou os tome, acho que posso fazer o que quiser com eles”, afirmou.
A Administração norte-americana tem estado em negociações com Cuba para que se encontre uma saída para a crise energética, que já levou ao cancelamento de cirurgias e paralisou o sector turístico cubano, crucial para a sua economia.
Em resposta às ameaças de Trump, Díaz-Canel garantiu que qualquer “agressor externo” irá enfrentar uma “resistência impenetrável” em Cuba. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse que Moscovo reitera a “solidariedade inabalável” com o Governo de Havana.