O desenvolvimento da tecnologia 6G tornou-se o novo campo de batalha da soberania digital, com a China a liderar uma corrida que ultrapassa largamente a simples melhoria das redes móveis.
O 6G como pilar da China
Quando, em 2018, o 5G comercial ainda dava os seus primeiros passos, a China já traçava planos para a geração seguinte. O gigante asiático compreendeu rapidamente que o 6G seria um elemento fundamental. Esta questão não se resume a reduzir a latência num videojogo ou a descarregar ficheiros mais rapidamente; trata-se de deter, antes da concorrência, uma tecnologia de fronteira.
Desde meados do século passado que a China utiliza os chamados “Planos Quinquenais”. Estas folhas de rota definem os objetivos a atingir em períodos de cinco anos, abrangendo áreas como a economia, o ambiente e, claro, a tecnologia. No 14.º Plano Quinquenal, o foco incidiu na autossuficiência em semicondutores e tecnologias digitais.
Com os objetivos anteriores largamente cumpridos, o novo plano de desenvolvimento para o período de 2026-2030 pretende consolidar essa soberania. Nesta nova etapa, a inteligência artificial (IA) e o 6G são apresentados como as principais alavancas para o crescimento económico do país.
Um historial de avanços constantes
Embora o novo calendário oficial aponte para 2030, a China prepara o terreno há anos. Já em 2019, a Huawei confirmou que estava a realizar testes internos de 6G. Em 2020, o país lançou aquele que foi considerado o primeiro satélite 6G do mundo e, em 2022, conseguiu enviar pacotes de dados de um TB por segundo a um quilómetro de distância.
Persiste o erro de pensar que o 6G é uma tecnologia desenhada apenas para o utilizador final. Embora os dispositivos de consumo venham a beneficiar de velocidades superiores a 100 Gbps, o 6G é, na verdade, uma infraestrutura para a rede global. O objetivo é sustentar dispositivos mais complexos, terminais inteligentes e uma nova geração de sensores.
Com uma latência inferior a um milissegundo – comparada com o valor médio do 5G -, esta rede permitirá a manipulação remota de dispositivos com precisão total. Isto inclui, por exemplo, enxames de robôs coordenados por IA a trabalhar no terreno. É o que se designa por “embodied AI” ou IA física, um dos pilares tecnológicos que a China quer dominar para transformar as suas fábricas até 2030.
Nenhum país deseja perder este comboio tecnológico. Se a China conta com gigantes como a Huawei, a Coreia do Sul dispõe da Samsung e da SK Telecom, que já manifestaram a intenção de ter uma rede 6G funcional em 2028. O Japão e os Estados Unidos também aceleram os seus investimentos, enquanto a Europa, que ficou para trás na implementação do 5G, tenta agora não repetir os mesmos erros.
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