Depois da polícia da Indonésia, também a PJ confirmou a detenção: desde a emissão do mandado as autoridades portuguesas contaram com “estreita coordenação” da Interpol, que conseguiu “localizar e deter em Jacarta a cidadã Mariana Guerreiro Fonseca”. “A Polícia Judiciária está neste momento a tratar dos procedimentos legais tendo em vista a sua extradição para Portugal a fim de cumprir a pena de prisão decretada pelos tribunais portugueses” — processo que ficou concluído com a entrada de Mariana em Tires.

Para cometer o crime pelo qual foi condenada, Mariana contou com o apoio da então namorada, Maria Malveiro. Ao contrário do que se verificou com a enfermeira (absolvida na primeira instância), o Tribunal de Portimão condenou a namorada à pena máxima. Entenderam os juízes que a namorada agiu com o único objetivo de “apoderar-se do dinheiro” da vítima — uma indemnização de mais de 70 mil euros que recebera pelo atropelamento da mãe. No entanto, o plano escapou ao planeado e Diogo foi morto. Para o tribunal, a “postura passiva” de Mariana, bem como a tentativa de reanimar a vítima, contribuíram para a sua absolvição, fugindo à pena máxima aplicada à namorada.

Mas o MP não se conformou e recorreu. A decisão acabou revertida duas vezes: primeiro, pela Relação de Évora, que a condenou a 25 anos de prisão; depois, pelo Supremo, que reduziu a pena para 23 anos de prisão, em 2024. O mandado de detenção foi emitido a 3 de julho de 2025 pelo Tribunal de Portimão.

Mariana confessa que ajudou a namorada a livrar-se do corpo de Diogo. “A pessoa que mais amava tinha acabado de matar outra”

No entanto, Mariana fugiu de Portugal para escapar a um destino que tentou combater pela via judicial. “Eu não sou inocente, mas não cometi esse crime. Não tirei a vida a ninguém”, chegou a admitir. Quando as autoridades iam cumprir o mandado de detenção, não encontraram a antiga enfermeira. A Polícia Judiciária, que pediu ao Tribunal de Portimão a emissão de um mandado de captura, viu este pedido negado. O mandado só chegou quando PSP e GNR tinham perdido o rasto da condenada.

“Após a emissão do mandado de detenção para cumprimento de pena, não tendo sido possível localizá-la em território nacional, a Polícia Judiciária desenvolveu várias diligências junto das suas congéneres internacionais tendo em vista a sua detenção”, explicou a PJ quando, finalmente, Mariana foi detida.