O que para um marinheiro era apenas uma corrida de 7,23 quilómetros para manter a forma, para a segurança nacional francesa foi um desastre logístico. Ao utilizar um smartwatch e a aplicação Strava para registar o treino no convés do Charles-de-Gaulle, um jovem oficial francês acabou por revelar a localização exacta da única embarcação de propulsão nuclear da Europa fora da frota norte-americana.
O caso, baptizado como “StravaLeaks”, é uma investigação do jornal Le Monde. O jornal francês detalha como a actividade, registada em tempo real a 13 de Março de 2026, permitiu localizar o navio no Noroeste de Chipre, em plena zona sensível do Mediterrâneo Oriental.
Ao correr em círculos no convés, o sinal de GPS do militar traçou um padrão que, quando cruzado com imagens de satélite, não deixava dúvidas sobre a identidade do porta-aviões.
Segundo o diário francês, o rasto digital permitiu mesmo “localizar o porta-aviões em tempo real”, quebrando o sigilo de uma missão que visava garantir a segurança e a protecção de aliados na região num contexto de segurança máxima.
O grupo aeronaval francês tinha sido mobilizado por Emmanuel Macron após o início das hostilidades entre Israel, Estados Unidos e Irão, numa altura em que bases militares francesas na região têm sido alvo de ataques iranianos.
Quando contactado pelo jornal, o Estado-Maior das Forças Armadas francesas afirmou que a transmissão deste percurso na app Strava “não cumpre as instruções em vigor” das quais “os marinheiros são regularmente informados”.
A Marinha Francesa já admitiu a falha, sublinhando que “a segurança operacional depende da discrição de cada soldado” e prometendo medidas correctivas imediatas.