A justiça norte-americana deliberou recentemente que Elon Musk enganou os investidores durante o processo de aquisição da rede social Twitter, agora denominada X. O magnata poderá ser forçado a pagar uma quantia astronómica em indemnizações devido ao impacto das suas declarações no mercado financeiro.

Elon Musk

O impacto das declarações de Musk na bolsa

O tribunal concluiu que as afirmações de Musk sobre a prevalência de contas falsas e de “spam” na plataforma foram enganosas. Em 2022, durante o processo de compra avaliado em 45 mil milhões de dólares, o CEO da Tesla alegou que os perfis não humanos representavam, pelo menos, 20% da base de utilizadores, um dado que teria influência direta na avaliação real da companhia.

Durante o período de negociação, Musk chegou a responder publicamente ao antigo CEO do Twitter, Parag Agrawal, com um emoji de fezes, após este ter explicado a impossibilidade de entidades externas verificarem os dados reais sobre contas automatizadas.

Como consequência da decisão judicial nesta ação coletiva, o empresário deverá agora compensar os danos causados com base na oscilação do preço das ações entre 13 de maio de 2022 – dia do tweet polémico – e 3 de outubro do mesmo ano, quando o negócio foi finalizado.

Segundo as projeções dos queixosos, o valor das indemnizações poderá ascender aos 2,6 mil milhões de dólares. A defesa de Musk já manifestou a intenção de recorrer da sentença, tentando reverter o veredito que o responsabiliza pela queda abrupta no valor dos títulos da empresa na altura.

A polémica dos robôs

Embora o tribunal da Califórnia tenha considerado que Musk enganou deliberadamente os investidores através de uma série de publicações nas redes sociais, o magistrado não o considerou culpado de um esquema de fraude mais amplo. Na época, o magnata chegou a declarar que o negócio estava temporariamente suspenso até obter provas concretas sobre o volume de contas falsas, o que gerou pânico no mercado de capitais.

A questão do “spam” no X nunca foi um segredo e continua a ser um desafio apontado por diversos analistas independentes. No entanto, especialistas como Agrawal defendem que as campanhas de manipulação são complexas, misturando contas automatizadas com perfis controlados por humanos, o que torna qualquer estimativa objetiva extremamente difícil de realizar com precisão absoluta.

Francis Bottini, advogado representante dos acionistas lesados, sublinhou em comunicado que o estatuto de homem mais rico do mundo não confere a Musk um livre-passo legal. Segundo ele, quem tem a capacidade de influenciar os mercados através de comunicações públicas deve ser responsabilizado pelos prejuízos que causa aos investidores.

Elon Musk é já um veterano em litígios judiciais com acionistas das suas diversas empresas, tendo saído vitorioso em vários processos anteriores. Um exemplo recente foi a disputa em torno do seu pacote salarial na Tesla, inicialmente anulado por um juiz e posteriormente reaprovado pela maioria dos detentores de capital da fabricante no final do ano passado.

 

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