Dois planetas estão a formar-se à volta de uma estrela jovem, a WISPIT 2. Os astrónomos admitem que o sistema se pode assemelhar ao nosso Sistema Solar quando era jovem.
O WISPIT 2 é o segundo sistema conhecido com estas características, depois da descoberta do PDS 70 no ano passado, com dois planetas observados diretamente a formarem-se em torno da sua estrela “mãe“. A equipa, que inclui um astrónomo português recorreu aos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) para confirmar a descoberta.
Chloe Lawlor, aluna de doutoramento na Universidade de Galway, na Irlanda, e autora principal do estudo publicado hoje na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters, diz que “o WISPIT 2 é a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado”.
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Já tinha sido detetado um planeta nesta formação e a equipa que inclui o investigador Paulo Garcia, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e do CENTRA – Centro de Astrofísica e Gravitação, IST, Universidade de Lisboa, usou os telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) para confirmar a presença de um segundo planeta e este sistema duplo.
O WISPIT 2 possui um disco de formação planetária bastante grande, com espaços vazios e anéis muito distintos, o que o distingue do PDS 70. “Estas estruturas sugerem que temos atualmente mais planetas a formarem-se neste disco, os quais certamente detectaremos também, mais cedo ou mais tarde”, explica a autora principal do estudo.
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No ano passado foi identificado o primeiro planeta recém formado neste sistema, batizado com o nome WISPIT 2b. Tem uma massa quase cinco vezes superior à de Júpiter e orbita a estrela central a uma distância equivalente a aproximadamente 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol.
O novo planeta, que recebeu o nome de WISPIT 2c, está quatro vezes mais próximo da estrela central e tem o dobro da massa de WISPIT 2b. Ambos são gigantes gasosos, tal como os planetas exteriores do nosso Sistema Solar.
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Segundo a informação partilhada no estudo, os planetas de WISPIT 2 surgem em espaços abertos bem definidos no disco de gás e poeira que orbita esta estrela jovem. “Estes espaços no disco resultam do desenvolvimento de cada planeta: as partículas no disco coalescem e a sua gravidade atrai mais material até se formar um planeta embrionário, o chamado protoplaneta“, refere o comunicado. O material que sobra, em volta de cada espaço, dá origem a anéis de poeira bem característicos destes discos.
Os astrónomos suspeitam que estes dois planetas não estejam sozinhos. Para além dos dois espaços vazios onde os dois planetas foram encontrados, existe pelo menos mais um, mais pequeno e mais afastado, no disco de WISPIT 2. “Suspeitamos que exista um terceiro planeta em formação neste espaço”, explica Chloe Lawlor, “possivelmente com a massa de Saturno, dado que o espaço é mais estreito e menos profundo”.
A equipa de astrónomos pretende continuar a fazer observação do sistema WISPIT 2 e tirar partido do potencial do Extremely Large Telescope do ESO que está em construção e que poderá permitir ter imagens diretas.
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