Leonid Radvinsky / Facebook

Leonid Radvinsky, proprietário do OnlyFans

O reservado multimilionário proprietário do OnlyFans, que transformou a indústria da pornografia com um modelo de subscrição, morreu aos 43 anos vítima de cancro. A sua morte levanta questões sobre quem ficará com a propriedade da plataforma.

Morreu o empresário ucraniano-norte-americano Leonid Radvinsky, anunciou esta segunda-feira um porta-voz do OnlyFans.

“É com profunda tristeza que anunciamos a morte de Leo Radvinsky. O Leo faleceu serenamente após uma longa luta contra o cancro“, declarou um porta-voz da empresa.

O reservado multimilionário adquiriu em 2018 a Fenix International, empresa-mãe do OnlyFans, ao fundador britânico da plataforma, Tim Stokely. Exerceu funções como administrador no conselho de administração da Fenix e era o seu acionista maioritário.

Sob a sua liderança, o OnlyFans passou de uma plataforma que outrora evitava conteúdos explícitos a um fenómeno destinado a adultos, com mais de 300 milhões de utilizadores e receitas anuais superiores a mil milhões de dólares, impulsionado por artistas eróticos e influenciadores célebres.

A morte de Radvinsky levanta questões sobre quem ficará com a propriedade da plataforma. As suas participações na Fenix estavam integradas no LR Fenix Trust desde 2024, e o seu património líquido ascendia a cerca de 4,7 mil milhões de dólares, de acordo com a lista de multimilionários da Forbes.

A Reuters noticiou em janeiro que o OnlyFans estava a estudar a venda de uma participação maioritária à sociedade de investimento Architect Capital, num negócio que avaliaria a empresa em cerca de 5,5 mil milhões de dólares, incluindo dívida.

A plataforma registou uma explosão de popularidade durante a pandemia, quando milhões de pessoas confinadas em casa em todo o mundo recorreram à internet, alimentando um crescimento acentuado de conteúdos e de utilizadores.

Os criadores partilham uma variedade de conteúdos, desde culinária a vídeos de fitness, mas a plataforma é sobretudo conhecida pela pornografia e pela forma como incentiva a ligação entre criadores e fãs através de transmissões em direto, mensagens personalizadas e pedidos diretos de fotografias e vídeos feitos à medida.

OnlyFans cobra uma comissão de 20% sobre a maioria das subscrições e dos conteúdos vendidos na plataforma.

Para além da Fenix, Radvinsky dirigia também a Leo, um fundo de capital de risco que fundou em 2009 e que se dedica sobretudo a investimentos em empresas tecnológicas.

O crescimento em dimensão e popularidade sob a propriedade de Radvinsky trouxe também o escrutínio de legisladores e reguladores relativamente aos seus conteúdos para adultos, nota a BBC.

Em 2024, os reguladores britânicos lançaram uma investigação para apurar se crianças estariam a aceder a pornografia, uma questão que a empresa, na altura, atribuiu a um problema técnico. Alguns anos antes, a plataforma tinha sido acusada de não combater conteúdos ilegais, incluindo material de abuso sexual de menores.

Perante a crescente pressão e escrutínio sobre os seus conteúdos, o OnlyFans anunciou planos, em agosto de 2021, para deixar de permitir material sexual na plataforma.

Contudo, recuou drasticamente na proposta poucos dias depois, na sequência de uma forte vaga de contestação por parte de utilizadores e artistas da indústria para adultos.

A empresa esteve também envolvida em litígios com utilizadores, incluindo alguns que se sentiram burlados ao descobrirem que as conversas que julgavam estar a manter com criadores do OnlyFans eram, na realidade, geridas por terceiros mal remunerados. Esses processos não obtiveram êxito até à data.

Radvinsky, que nasceu na Ucrânia e cresceu em Chicago, licenciou-se em Economia pela Universidade Northwestern e residia mais recentemente na Florida. A sua atividade filantrópica incluía donativos ao Memorial Sloan Kettering Cancer Center.


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