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Domingo de manhã em Telavive, um dia soalheiro perturbado pelas sirenes de ataque aéreo. Pouco depois, várias munições de fragmentação caem sobre a capital israelita, iludindo o avançado sistema de defesa aérea. Resultado: 15 feridos, sete dos quais tiveram de ser transportados para o hospital. Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), aproximadamente metade dos mísseis lançados do Irão desde a escalada do conflito transportavam munições de fragmentação, entre o míssil dirigido a Telavive no último domingo.
Segundo uma análise feita pelo jornal inglês The Guardian, pelo menos 19 mísseis balísticos com munições de fragmentação entraram no espaço aéreo israelita e atingiram zonas urbanas desde o início da guerra a 28 de fevereiro. Esses ataques mataram pelo menos nove pessoas e feriram dezenas de outras, expondo as vulnerabilidades das defesas aéreas de Israel.
Desde o início da guerra, as munições de fragmentação iranianas, largadas pelos mísseis em pleno ar, têm colocado à prova os sistema de defesa antimíssil de Israel, incluindo o Iron Dome (Cúpula de Ferro, na tradução para português), projetado para neutralizar ameaças e diferentes altitudes e velocidades. Muitas vezes, os mísseis lançados pelo regime iraniano largam estas munições de fragmentação antes de serem intercetados pelo mísseis israelitas, anulando a eficácia da defesa aérea e colocando em risco as populações civis.
“Intercetar bombas de fragmentação é mais difícil do que deter mísseis únicos“, admite o especialista em mísseis Tal Inbar, que presta consultoria para empresas de defesa israelitas. “Para ser eficaz, o [míssil] intercetor deve atingir o míssil lançador antes da dispersão” das munições de fragmentação, explica Inbar.
As bombas de fragmentação, transportadas no interior dos mísseis, são projetadas para libertar dezenas de munições, por uma área extensa. Parte destas munições só explodem quando atingem o solo, provocando danos e ferimentos em civis. Para limitar o impacto, os especialistas em armamento defendem que os mísseis que transportam as munições de fragmentação devem ser intercetados o mais longe possível do alvo – idealmente fora da atmosfera. Isto porque, uma vez largadas no ar, a intercetação destas munições, mesmo com os sistemas de defesa antimíssil mais sofisticados, torna-se praticamente impossível. E ainda que o míssil seja intercetado a tempo, as autoridades israelitas sublinham que isso nem sempre resulta na neutralização completa da ameaça.
JUST IN: ???????????????? Iran launches cluster bombs at Israel. pic.twitter.com/ODfRaVjEd7
— BRICS News (@BRICSinfo) March 23, 2026
Segundo o Guardian, um dos objetivos de Teerão, ao usar estas munições, é esgotar as defesas antimíssil de Israel, forçando Telavive a gastar vários mísseis para anular uma única ameaça.
Por serem pouco precisas, e portanto com impacto indiscriminado, as munições de fragmentação estão proibidas pela Convenção sobre Munições de Fragmentação, assinada em 2008, por mais de 100 países. No entanto, nem Israel nem o Irão são países signatários. Já em junho do ano passado, durante o anterior conflito aberto entre Telavive e Teerão, que durou 12 dias, a Aministia Internacional denunciou o uso de munições de fragmentação por parte do Irão.
Uma investigação do Guardian, publicada em 2023, revelou que Israel também utilizou munições de fragmentação durante a guerra contra o Hezbollah, iniciada em outubro desse mesmo ano.