O Banco de Portugal procedeu esta quarta-feira a uma correção em baixa da estimativa de crescimento da economia em 2026 para 1,8 por cento. Na base desta decisão estão as ondas de choque da ofensiva israelo-americana contra o Irão.

A previsão agora inscrita no boletim económico de março contrasta com a estimativa de dezembro, quando o banco central apontava para um crescimento do PIB em 2,3 por cento – valor que igualava a projeção que o Governo introduziu no Orçamento do Estado para este ano.A revisão espelha a “deterioração do contexto internacional, na sequência do conflito no Médio Oriente, que implicou o aumento do preço dos bens energéticos e a expectativa de agravamento das condições de financiamento”.

Por outro lado, os “eventos climáticos extremos do início do ano e a evolução mais fraca da atividade no final de 2025 face ao projetado em dezembro também contribuíram para a revisão em baixa”.

De acordo com o Banco de Portugal, fatores como a solidez do mercado de trabalho, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência e uma política orçamental expansionista contribuem para compensar os efeitos negativos.

O supervisor da banca prevê crescimentos de 1,6 por cento em 2027 – um acerto em baixa relativamente aos 1,7 por cento do boletim de dezembro – e de 1,8 por cento em 2028.

Jornal da Tarde | 25 de março de 2026

Nos próximos dois anos, na perspetiva do Banco de Portugal, a atividade económica vai ser condicionada pela desaceleração da oferta de trabalho e pela redução nos fundos europeus.

Inflação em crescendo



O Banco de Portugal estima que a inflação sofra uma aceleração para os 2,8 por cento em 2026.

No boletim divulgado esta quarta-feira, o índice é revisto em alta de 0,7 pontos percentuais, este ano, e de 0,3 pontos, para 2,3 por cento, em 2027.”O conflito no Médio Oriente explica, em larga medida, as revisões em alta da inflação em 2026 e 2027″, justifica o banco central.

A “dissipação do efeito do choque energético nos preços e a manutenção das expectativas de inflação de longo prazo ancoradas deverão contribuir para a redução da inflação para dois por cento em 2028”.

c/ Lusa