A GNR deteve na terça-feira, no distrito da Guarda, um cidadão francês suspeito do duplo homicídio de duas mulheres, que os media franceses dizem ter sido encontradas mortas nesta quarta-feira em Portugal, perto da fronteira com Espanha. Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ) confirma que o homem detido é militar da Gendarmerie Nacional, e que, na manhã desta quarta-feira, foram localizados em Portugal os corpos de duas mulheres que se suspeita serem da companheira e da ex-companheira do detido, “enterradas em local ermo”.
Na origem do sucedido poderá estar o facto de este homem ter perdido a guarda de um dos filhos: no ano passado Cédric Prizzon participou, juntamente com outros pais nas mesmas circunstâncias, numa greve de fome em frente ao tribunal de Rodez e em manifestações em frente à câmara de Villefranche-de-Rouergue, no sul de França, noticia a comunicação social daquele país, que diz também que o suspeito tinha um relacionamento conturbado com a ex-companheira, a quem acusava nas redes sociais de colocar o jovem “em perigo”. Em 2021 levou-o de férias para Espanha ilegalmente, tendo entretanto sido condenado por sequestro do menor mas também por assédio à ex-cônjuge. A sua conta do Facebook era dedicada quase exclusivamente à luta contra a ex-mulher e à susposta corrupção do sistema judiciário francês.
Segundo a Guarda Nacional Republicana (GNR), o homem de 41 anos foi detido numa acção de fiscalização rodoviária na Estrada Nacional 102, tendo os guardas do posto territorial da Mêda abordado o carro onde seguia, com dois menores, pouco depois das 15h. Foram os documentos apresentados pelo francês que levantaram suspeitas aos militares, que acabaram por concluir que estes eram falsos.
De seguida, foi feita uma busca ao automóvel que permitiu encontrar uma espingarda sem documentação legal, tendo por isso o suspeito sido detido “em flagrante delito pelos crimes de falsificação de documentos e de posse ilegal de arma”. Também foram apreendidas mais de uma dezena de matrículas de viaturas e 17 mil euros em dinheiro vivo.
“No seguimento da acção, e no decurso das diligências subsequentes realizadas pelos mesmos militares, foi possível apurar-se que o detido se encontrava referenciado como suspeito da prática de crimes graves, designadamente rapto e outros ilícitos criminais de elevada gravidade, incluindo a suspeita de homicídio. Neste âmbito, foi de imediato contactada a PJ“, adiantou a GNR em comunicado.
Segundo os meios de comunicação social franceses, que citam a agência francesa France-Presse, os corpos das duas mulheres dadas como desaparecidas desde sexta-feira em Averyon, no Sul de França, foram encontrados em Portugal nesta quarta-feira, em Mêda, distrito da Guarda, próximo da fronteira com Espanha.
Os meios de comunicação social franceses adiantam que as mulheres encontradas mortas são a companheira e ex-companheira do suspeito, que, quando foi detido, tinha consigo no carro os dois filhos, um na casa dos 12 anos e outro com menos de dois anos, que foram encontrados em segurança.
Em comunicado, a PJ diz que “continuam a ser desenvolvidas as diligências necessárias à identificação das vítimas e à consolidação da prova” e que o detido será presente a primeiro interrogatório judicial na Mêda.
Texto actualizado às 17h55 com comunicado da Polícia Judiciária