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Especialistas alertam que dor, inchaço e sensação de peso não devem ser ignorados
Sentir dor, peso ou desconforto nas pernas ao longo do dia é algo frequentemente naturalizado, especialmente entre mulheres que acumulam múltiplas jornadas. No entanto, o que muitas consideram apenas cansaço pode ser um sinal de alerta do próprio corpo.
Entre as possíveis causas está o lipedema, uma condição crônica que afeta principalmente mulheres e que ainda é pouco conhecida e frequentemente confundida com retenção de líquido ou até sobrepeso.
Caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura, especialmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços, o lipedema pode provocar dor ao toque, sensação de peso, inchaço e facilidade para o surgimento de hematomas.
Segundo a angiologista Isabelli Queiroz, muitas mulheres convivem com os sintomas por anos sem investigar.
“Dor nas pernas não deve ser encarada como algo normal, principalmente quando é frequente. Muitas mulheres convivem com esse desconforto por anos sem investigar a causa, o que pode atrasar o diagnóstico de condições vasculares importantes, como o lipedema”, explica a especialista.
De acordo com a médica, um dos principais desafios é que os sintomas evoluem de forma gradual, o que contribui para o diagnóstico tardio.
“No início, a paciente pode perceber apenas um cansaço maior ao fim do dia. Com o tempo, surgem dor ao toque, sensação de peso constante e alterações na proporção corporal, especialmente nas pernas. Esse conjunto de sinais merece atenção e investigação”, afirma.
Alimentação e inflamação
Segundo a nutricionista Milena Rosa, o organismo responde diretamente aos hábitos alimentares, influenciando a intensidade dos sintomas.
“Estudos recentes demonstram que o lipedema está associado a um estado inflamatório crônico de baixo grau, além de alterações na matriz extracelular, no tecido adiposo e na microcirculação. Nesse contexto, estratégias nutricionais podem atuar como moduladoras importantes, auxiliando na redução da inflamação, do edema e da sensibilidade dolorosa”, explica.
A especialista reforça que o acompanhamento nutricional deve ser individualizado e integrado ao cuidado clínico.
Divulgação | Ascom Angioclam
Dor nas pernas pode ser sinal de lipedema
“A nutrição não atua de forma isolada, mas como parte de um cuidado multidisciplinar. Quando bem conduzida, pode contribuir significativamente para a melhora dos sintomas, da qualidade de vida e da resposta ao tratamento”, completa.
Diagnóstico precoce faz diferença
Embora não tenha cura, o lipedema pode ser controlado com acompanhamento adequado e abordagem multidisciplinar, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
Diante de sintomas persistentes como dor, sensação de peso, inchaço ou facilidade para hematomas nas pernas, a recomendação é buscar avaliação com especialista em saúde vascular. A partir desse primeiro atendimento, outros profissionais podem ser integrados ao cuidado, conforme a necessidade de cada paciente.
Para a angiologista, entender os sinais do corpo é o primeiro passo para o diagnóstico.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença na evolução do quadro. Quanto antes a paciente entende o que está acontecendo com o seu corpo, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar a progressão da doença”, reforça.