Europa ruma para nova semana de perdas com guerra no Irão. Astrazeneca pula 3%


Os principais índices europeus negoceiam em baixa, com a incerteza em torno das negociações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão a levar a um aumento dos preços do crude, fator que está a abalar o apetite pelo risco durante a sessão desta sexta-feira, numa altura em que o Brent avança para perto dos 110 dólares por barril.


O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – cai 0,82%, para os 576,07 pontos.


Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 1,04%, o espanhol IBEX 35 recua 0,80%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,89%, o francês CAC-40 cede 0,79%, ao passo que o neerlandês AEX cai 0,90% e o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,34%.


O “benchmark” europeu caminha agora para uma nova semana de perdas, sendo que já recua mais de 2% até agora no conjunto da semana. Só desde o início do mês, o Stoxx 600 já fixa perdas superiores a 9%, espelhando o efeito que a guerra no Médio Oriente está a ter sobre os ativos de risco.


Durante o dia de ontem, a presidente do Banco Central Europeu (BCE) defendeu a possibilidade de existir um excessivo otimismo face à reação dos mercados à guerra no Médio Oriente e falou num “verdadeiro choque” em matéria de energia. “Estamos perante um verdadeiro choque – que provavelmente vai para além do que podemos imaginar neste momento”, afirmou Lagarde, referindo-se à destruição da infraestrutura energética.


Em entrevista ao The Economist, acrescentou que “nesta crise estamos a aprender, quase dia após dia, quais serão as consequências reais, quais os países mais afetados e quais as ‘commodities’ que terão maior procura“, sublinhou a líder da autoridade de política monetária.


Já sobre as negociações em curso entre EUA e Irão, “a questão é que são precisos dois para chegar a um acordo, por isso aconselho cautela contra um otimismo prematuro”, disse à Bloomberg Emma Moriarty, da CG Asset Management. “Os acontecimentos desta semana mostraram que existe uma grande distância entre as duas partes nas negociações e uma vontade significativamente menor de dialogar por parte do Irão”, acrescentou. Estes fatores, assim como notícias de que o Pentágono estará a avaliar o envio de 10 mil soldados para o golfo Pérsico, estão mesmo a levar os investidores a apontar para um conflito mais prolongado do que o esperado anteriormente.


Entre os setores, todos negoceiam no vermelho, à exceção do da saúde (+0,24%) e dos químicos (+0,22%). Do lado das perdas, o industrial e o dos bens e serviços caem mais de 1,30%, enquanto o dos media regista as maiores perdas com uma desvalorização de 1,80%.


Quanto aos movimentos do mercado, a AstraZeneca soma mais de 3%, depois de se saber que o medicamento experimental da farmacêutica para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ajudou a reduzir o agravamento dos sintomas em dois ensaios clínicos em fase avançada.