“Projetos como este demonstram que Portugal não é apenas um país de produção, é um parceiro estratégico no desenvolvimento de produto, capaz de trabalhar lado a lado com designers e marcas globais. Esta proximidade entre indústria e criatividade é o que nos permite acrescentar valor e afirmar o calçado português nos palcos mais exigentes do mundo.” A frase é do designer Luís Onofre, que surge citado no comunicado da Associação Portuguesa Indústria de Calçado, Componentes, Artigos Pele e Sucedâneos (APICCAPS), e que revela que a cantora Dua Lipa escolheu calçado português para protagonizar campanha publicitária internacional da marca de café Nespresso.

A estrela de “Radical Optimism” usou um par de sapatos desenvolvidos numa parceria entre a indústria do calçado português e Willy Chavarria, com o apoio de Luís Onofre, e que integra o projeto BioShoes4All.

O modelo usado pela cantora e empresária foi apresentado durante a Semana da Moda de Paris, no desfile do designer, na coleção Outono/Inverno 2027. Para o diretor executivo da APICCAPS, Paulo Gonçalves, sublinha que “num momento em que moda, cultura e responsabilidade ambiental se cruzam, o calçado português dá mais um passo firme, agora aos pés de uma das maiores estrelas do panorama internacional”, lê-se no comunicado da associação.

Recorde-se que o projeto BioShoes4All, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apostava na sustentabilidade, inovação e produção responsável. Através deste plano, têm vindo a ser desenvolvidos resíduos como aaroços de azeitona, cascas de laranja, podas de videira ou pó de café no calçado português.

Segundo o site do PRR em nota emitida em setembro do ano passado, a BioShoes4All contou com um investimento de 60 milhões de euros, dos quais 40 milhões financiados pelo PRR, juntando 70 instituições, entre empresas e 20 entidades científicas e tecnológicas, associações e, entre outros, universidades. Ainda de acordo com a mesma plataforma, o BioShoes4All apresenta-se como “um projeto que pretende acelerar a transição do cluster do calçado para a bioeconomia e a economia circular”, aproveitando “resíduos que até aqui não apresentavam valor e dos quais são agora extraídos compostos que podem ser aplicados no tratamento de peles ou em componentes como palmilhas, garantindo calçado sustentável e resistente”.