As acusações de Collien Fernandes, de 44 anos, geraram um intenso debate mediático sobre a “violência digital” cada vez mais frequente na internet, sobretudo contra as mulheres.
A revista semanal “Der Spiegel” foi a primeira a noticiar o caso de Fernandes na semana passada, relatando o choque da figura pública ao descobrir que centenas de imagens pornográficas falsas suas circulavam na internet. Mais tarde, começou a suspeitar que as imagens tinham sido criadas por inteligência artificial e partilhadas pelo ex-companheiro, o ator Christian Ulmen, de 50 anos, através de perfis falsos nas redes sociais que se faziam passar por ela.
A procuradoria da cidade de Itzehoe, no norte da Alemanha, informou que reabriu a investigação contra o ex-marido de Fernandes depois de avaliar a reportagem da “Der Spiegel”. Uma investigação anterior tinha sido suspensa em junho do ano passado por falta de informação.
“A investigação do caso anteriormente arquivado foi reaberta”, afirmou o gabinete em comunicado. “Este processo diz respeito à alegação de perseguição”.
O crime de perseguição pode implicar uma pena de prisão até três anos. Ulmen terá negado as acusações.
Fernandes também apresentou uma queixa formal contra o ex-marido em Espanha, onde o casal vivia junto na ilha de Maiorca antes de se separar em 2025.
O governo respondeu à indignação nacional, prometendo introduzir leis para punir a criação e distribuição de deepfakes com conteúdo sexual. Uma petição de apoio a Fernandes e que exige que o governo tome medidas para combater a violência digital contra as mulheres já tem mais de 283 mil assinaturas.
No domingo passado, milhares de pessoas realizaram uma manifestação em Berlim contra a violência sexual digital e em solidariedade com as vítimas. Collien Fernandes não esteve presente, mas os seus apoiantes leram uma declaração da atriz junto às Portas de Brandemburgo, na qual pedia o derrube dos “muros do silêncio”.