Animais vivos, alguns feridos e doentes, lado a lado com outros mortos, muitos já em decomposição e a serem canibalizados, mergulhados em fezes, água e sangue. Um cenário de “pesadelo” registado por imagens recolhidas na Quinta da Granja, em Almoster, concelho de Santarém, por investigadores que atuam na área do bem-estar animal, divulgadas, nesta sexta-feira, no programa “Prova dos factos”, da RTP.
O caso, denunciado pela Frente Animal, é repudiado pela Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores (FPAS) e pela Associação Interprofissional da Fileira de Carne de Porco (Filporc). David Neves, que preside às duas organizações, garante, no entanto, que se trata de uma situação “isolada” e que a segurança alimentar “não está, em circunstância alguma, posta em causa”.
Segundo a reportagem, a maioria das imagens foi recolhida entre os dias 14 e 21 de janeiro, havendo algumas registadas em fevereiro. Nos vídeos é bem visível a falta de condições de salubridade da exploração. “Pelas imagens e pelo testemunho dos investigadores anónimos, estamos a falar de um ambiente de pesadelo”, constata Nuno Alvim, da Frente Animal, à “Prova dos factos”, frisando que, à data da recolha das imagens, a empresa era detentora do selo de certificação de bem-estar animal, entretanto suspenso.
Controlo “rigoroso”
“As imagens são más. É uma situação que repudiamos”, diz David Neves. Ao JN, o presidente da FPAS e da Filporc ressalva, contudo, que o caso “não representa, de modo algum, o setor em Portugal” e “não põe em causa o processo de certificação, dos mais exigentes da Europa, que é validado e certificado por uma entidade externa”.
O dirigente garante ainda que a segurança alimentar “está assegurada” pelo controlo “rigoroso” feito no matadouro. A título de exemplo, refere que, na sequência da tempestade Kristin, que danificou muitas explorações, “houve animais que sofreram e que foram rejeitados em matadouro”. “O controlo da qualidade funciona e, se alguns dos animais que se veem nas imagens chegassem ao matadouro não passariam”, afiança.
A Euroeste, proprietária da Quinta da Granja, que integra o Valgrupo, um dos maiores produtores de carne do país, alegou, em nota envida ao programa, que a exploração sofreu “danos significativos” com a Kristin, mas a recuperação ficará concluída “a breve prazo”.